Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Coinbase decide listar suas ações na bolsa, ao invés de optar por um IPO

A Coinbase, maior corretora de criptomoedas dos Estados Unidos (EUA), pretende listar suas ações diretamente na bolsa. O anúncio foi feito nesta quinta-feira (28), por comunicado. Em dezembro passado, a empresa apresentou à comissão de valores mobiliários do país, SEC, pedido de registro de ações.

Portanto, a empresa optou por colocar na bolsa apenas as ações já existentes, sem emitir nova. É o mesmo processo que novas empresas, como a Spotify, por exemplo, escolheram.

Assim, a corretora também não vai embarcar nos longos, complexos e mais caros processos de oferta inicial de ações (IPO, em inglês).

Os IPOs são tocados por bancos que, dentre outras atividades, fazem roadshow das empresas para mostrá-las a potenciais investidores. dessa forma, esperam cravar melhores preços para as ações.

Coinbase aguarda retorno da SEC

A Coinbase ainda aguarda retorno da SEC sobre seu pedido.

A entrada de uma corretora de criptos numa bolsa do mercado financeiro tradicional será um grande teste para o segmento. A listagem permitirá, dentre outros coisas, medir o apetite dos investidores pelo mundo das criptos, em especial dos institucionais.

De acordo com o site da corretora, a empresa já movimentou negociações de US$ 300 bilhões e tem US$ 30 bilhões de ativos na plataforma. A exchange afirma ainda que tem 35 milhões de usuários em mais de 100 países. Além disso, tem 1 mil funcionários.

Quando a Coinbase anunciou que estava pedindo registro na SEC, a Messari, empresa de dados sobre criptos, estimou que a exchange pode levantar US$ 28 bilhões num oferta de suas ações.

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Eneva investe em solução blockchain para contratos de energia; Fohat é a fornecedora

A Eneva e a Fohat vão testar, em fevereiro e março, a versão alfa de um plataforma para comercialização de energia e automatização de backoffice. De acordo com a Fohat, essa é a primeira plataforma do tipo em energia, porque usa blockchain.

“O que estamos resolvendo é a questão de segurança de mercado”, disse ao Blocknews Igor Ferreira, CEO da Fohat. Isso porque em 2019, houve defaults milionários de contratos bilaterais de energia livre por alguns comercializadores.

O “Projeto Energy Intelligence aplicado a Backoffice” da Enevar começou em junho de 2020. O objetivo é aumentar a integração do backoffice com a área de comercialização.

Assim, espera-se uma melhora do fluxo das operações e dando mais segurança aos contratos. Neste caso, blockchain dá segurança aos contratos porque o projeto usa smart contracts, ou seja, soluções que executam as regras contratuais.*

A plataforma foca em comercializadores e nos chamados “gentailers”, os geradores que distribuem energia. O investimento no projeto é de R$ 3,4 milhões. Os recursos estão dentro do programa de P&D da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Economia na venda de energia

O projeto garante o rastreamento e a automação das operações. Portanto, deve reduzir custos de operação da Eneva, afirmou Ferreira. “A expectativa é de que a plataforma aumente a eficiência da mesa na operação.”

Mas, esse custo ficará claro quando a empresa rodar os testes. O CEO da Fohat disse que não pode revelar as estimativas já feitas.

Foco de atuação

Depois do calote no setor, a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) apresentou uma recomendação de liquidação semanal de contrato, ao invés de mensal. Mas isso aumentaria os custos no backoffice com pessoal, por exemplo. O setor não aplicou o modelo.

Foi, então, a partir do calote e desse processo de liquidação que a Fohat buscou soluções de segurança para o mercado e de automação do backoffice na integração com as mesas de negociação. Como uma das prioridades do mercado é segurança, essa também é uma das principais áreas da empresa.

“O mercado está trabalhando forte nisso”, completa Ferreira. E para esses casos, blockchain contribui com criptografia e descentralização, por exemplo. A plataforma da Eneva usa a Energy Web Chain, blockchain desenvolvida em 2019 pela Energy Web Foundation (EWF).

Segundo a Fohat, o uso é na validação e conexão. As operações aprovadas serão, portanto, criptografadas pela mesa na saída e visualizadas no ambiente de balcão em blockchain, diz Ferreira.

A Eneva tem operações no Norte e Nordeste do país. A empresa tem, ainda, um parque de geração térmica de 2,2 GW, ou 9% da capacidade do país. Até 2024, deverá atingir 2,8 GW com mais três usinas.

Além disso, em 2019, foi a segunda maior operadora de gás natural do Brasil, com capacidade de produção de 8,4 milhões de m³ ao dia. A empresa tem, ainda, uma comercializadora de energia e gás no mercado livre.

A Fohat também está desenvolvendo um balcão descentralizado de comercialização de contratos com a AES Brasil. Assim como no caso da Eneva, a plataforma está no programa de P&D da Aneel.

*Reportagem atualizada em 27 de janeiro às 14h15 A Fohat corrigiu a informação dada ao Blocknews de que haveria uma contraparte central nesse projeto, A contraparte não se aplica neste caso.

Seguradoras europeias e B3i lançam solução blockchain para seguros marítimos

A Eurapco, uma aliança de oito seguradoras europeias, e a B3i, um consórcio de seguradoras de todo o mundo, inclusive do IRB Brasil, para o uso de blockchain, vão lançar a solução Eurapco Unity. Será a primeira solução operacional global em infraestrutura blockchain para transferência de riscos facultativos entre empresas. O foco inicial é no setor marítimo.

Em geral, riscos facultativos cobrem catástrofes e riscos incomuns. Têm esse nome porque cada seguradora que cobre o risco define como fará seu contrato. Além disso, o resseguro não é automático.

O Mínimo Produto Viável (MVP) da Eurapco Unity foi ficou pronto em dezembro passado. Assim, houve a transferência de riscos facultativos numa rede de empresas do segmento de seguros marítimo. Essa é a primeira aplicação sob medida construída na plataforma Fluidity da B3i.

Seguros marítimo e resseguros

Após uma pesquisa sobre blockchain, a Eurapco definiu que os segmentos de seguros marítimo e de resseguros são as que a tecnologia mais pode trazer benefícios para o grupo. Esses ganhos são em transparência, segurança e na redução do trabalho administrativo.

O setor de seguros tem enorme potencial para usar blockchain. Isso porque as operações envolvem diversos membros, são complexas, com um vai e vem de aprovações e assinaturas e com compartilhamento de dados sensíveis. Um erro ou uma fraude nesse processo podem causar uma enorme dor de cabeça e prejuízo para o segurado ou resseguradora.

De acordo com Wilma de Bruijn, gerente geral da Eurapco, buscar soluções blockchain “foi um passo natural na criação de um valor tangível para nossos sócios.”

Ganho de tempo e segurança

“Um novo mundo de digitalização se abriu para nós. É possível acessar os documentos e transmitir para todos os membros da rede com facilidade”, afirmou Dieter Lammertz, responsável pela area marítima e de artes de valor da La Mobilière, uma das sócias da Eurapco.

“A informação fica na blockchain e ninguém pode alterá-la. Estou convencido de isso vai gerar uma economia considerável de tempo. No futuro, a Unity vai gerenciar todas as contas e pedidos. Assim, vamos ter ainda mais economia de tempo e recursos”, completou afirmou Lammertz, .

De acordo com Antonio di Marzo, diretor de produtos da B3i, a Unity funciona como uma facilitadora de infraetrutura. Assim, estabelece as regras e protocolos que seus membros vão seguir. As regras estão no protocolo. Ao diminuir o trabalho administrativo, as empresa ganham tempo para se concentrarem em seus negócios, completou.

Uma rede no Brasil

Enquanto isso, no Brasil, a bolsa de valores B3 e o IRB-Brasil Resseguros vão lançar, neste ano, uma plataforma para conectar todos os segmentos do setor. O objetivo é digitalizar a realização dos contatos. A parceria vai permitir operações em tempo real de um mercado bilionário. Em 2019, só as seguradoras arrecadaram R$ 270 bilhões, excluindo os segmentos de saúde e o DPVAT.

Consensys fará parte da rede chinesa BSN para oferecer soluções a governos e empresas

A ConsenSys fechou acordo com a Blockchain-based Service Network (BSN) para fornecer a plataforma Quorum em cerca de 80 cidades. A BSN é uma rede de blockchains criada pelo governo chinês com mais de 100 nós públicos. A Quorum, que foi do JP Morgan até o ano passado, vai entrar em operação na rede ainda neste ano.

O objetivo do governo chinês com a BSN é fazer blockchain ser mais acessível para empresas e instituições do governo. Assim, quer facilitar e reduzir o custo de desenvolvimento dos aplicativos descentralizados (dAapps) e estabelecer um único padrão.

A Quorum é uma camada open source sobre a qual são desenvolvidos esses dAapps. Assim, vai fazer parte de um pacote com outras plataformas blockchain públicas e privadas para vender soluções a empresas e governos.

A China anunciou, em 2019, que tem como plano ser um hub global de blockchain. E para isso tem criado centros de pesquisa e inserido a tecnologia nos planos de desenvolvimento do governo.

BSN é uma das maiores do mundo

A BSN é, portanto, parte desse plano. Lançada em abril de 2020, é uma das maiores redes blockchain do mundo. criada pelo país mais populoso do mundo e a segunda maior economia do planeta.

O State Information Center of China (SIC), um centro de estudos da National Development and Reform Commission (NDRC), apoiou o desenvolvimento da rede. A NDRC é a principal agência de planejamento econômico do país. Além disso, é uma infraestrutura global cross-nuvem, cross-portal e cross-estrutura.

A rede é ainda a espinha dorsal da Rota da Seda Digital. A BSN já implantou mais de 2 mil aplicações. Além dos 108 nós em mais de 80 cidades da China, há 8 nós públicos em outros países. O governo quer ter mais de 10 redes privadas e mais 30 protocolos públicas para desenvolvedores na BSN.