Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Zro Bank usa blockchain para melhorar auditoria e transparência para clientes

O Zro Bank, que desde que foi anunciado avisou que operaria com criptomoedas, está usando blockchain também internamente, com uma rede proprietária. O objetivo é dar maior segurança, mais qualidade à auditoria das operações e prover aos clientes informações mais transparentes, diz Marco Carnut, CTO do banco.

Carnut fundou a Coinwise, de soluções em blockchain, mas que como ele mesmo diz, ficou mais conhecida por facilitar pagamentos em criptos. Antes disso, criou a Tempest Security Intelligence, de segurança cibernética, da qual a Embraer adquiriu controle majoritário em julho deste ano.

Carnut é de Belém, mas mora em Recife, cidade do CEO do Zro Bank, Edísio Pereira Neto. Chegaram a estudar juntos, mas nunca se conheceram. Quando se encontraram, descobriram as afinidades em blockchain e criptomoedas e acabaram virando sócios, com a aquisição da Coinwise pela BitBlue, que faz as operações de criptos do banco.

Blockchain no core business

De acordo com Carnut, o banco de dados do Zro Bank é “blockchainizado” e gradualmente o core bancário usará a tecnologia. “Há lotes fechados de tempos em tempos, um bloco referencia outro, o bloco é imutável e conseguimos recuperar o backup de forma íntegra”, disse o CTO ao Blocknews. A rede é proprietária e tem a finalidade de registar as informações necessárias para a contabilidade do banco, completou.

É um projeto puramente interno, diz ele, que queira usar os princípais fundamentais de blockchain de maneira pragmática no cenário do Zro, contabilizando com o mercado tradicional. Assim, a ideia é “diminuir o gap entre os dois mundos.”. Isso não é tarefa fácil, tanto que Carnut diz que ainda está no começo do que quer aplicar.

Ele afirma que a filosofia tradicional do mundo de finanças é a de que primeiro vem a transação e depois a auditoria. No blockchain “raiz”, como o do bitcoin, a auditoria vem antes da transação. “O sucesso da transação é condicionado ao sucesso da auditoria.”

Blockchain nas contas e transferências

O segundo uso de blockchain está na integração das plataformas públicas das criptomoedas. Isso já começou começou com bitcoin e vai se expandir para as outras moedas que o banco vai oferecer, como a Ether. O banco tem nós nativos em cada uma das criptomoedas.

O terceiro uso será no câmbio para as transferências internacionais. Nesse caso, a plataforma que será usada é a Ripple, que surgiu no mercado para concorrer com a Swift, sistema usado pelos bancos, que muitas vezes a criticam por ser demorada, cara e com falhas de entregas.

“Queremos se o primeiro e mais bem sucedido banco que tem cripto numa linguagem moderna, do século XXI, com transferências via chat e assim, mostrar que cripto é ‘cidadã’ de primeira classe”, disse o CTO.

Blockchain hoje para colher no futuro

“Um dos desafios sérios que temos é que o resto do mundo não é blockchain. Os parceiros bancários voltam no tempo e fazem correção no registro datado no passado. Eu não posso voltar ao passado, por isso registro no futuro, dizendo que se refere a transação passada. Isso dá uma ‘trabalheira’, mas dá um tremendo conforto, porque tenho zero problema com auditoria e controladoria”, afirmou.

O que o ZroBank afirma é estar se preparando para atender a uma demanda da geração Z, que é seu foco (ver entrevista com o CEO). Muito pouco usuário entende e faz questão de blockchain, diz Carnut.

“Mas, é uma coisa que estamos plantando, por isso vamos colher o fruto disso daqui a vários anos. Como somos pequenos, queremos fazer isso. Se não pensarmos em blocos na estrutura central do banco agora, podemos virar algo igual a todos os outros”, completou.

“Os bancos estão tentando fazer isso em laboratório e em mainframes. Mas até onde eu sei, não conseguiram colocar no core banking. Eles têm crises culturais”, disse o CTO.

Segundo ele, o benefício vai transparecer quando publicarem o ledger (registro), por exemplo, num recibo verificável, em que o cliente poder ver se uma transação foi mesmo feita.

Revolução de gerações

“A revolução das criptos é geracional. Queremos aumentar o número de pessoas que usam cripto, que hoje são menos de 1% da população mundial e um percentual menor ainda no Brasil”, afirma Carnut. A ideia é chegar a até 10%, o que as corretoras tradicionais não conseguem porque não entendem o que os usuários querem e precisam.

Conseguimos criar algo que o usuário leigo consegue operar e queremos ser o primeiro e mais bem sucedido banco que tem cripto numa linguagem moderna, do século XXI, com transferências via chat, afirmou Carnut.

Cozinha das instituições financeiras é desorganizada, diz CEO do Zro Bank, que usa blockchain em três frentes

Por trás do primeiro chat bank da América Latina, que teve 30 mil downloads do seu aplicativo no primeiro mês de lançamento, está o uso de blockchain em três frentes: dados internos para controladoria, integração com plataformas de moedas criptografadas e transferências internacionais de dinheiro. É assim que o quer ser um exemplo global de transformação do setor financeiro.

“As companhias movimentam bilhões de dólares, mas a cozinha do mercado financeiro é desorganizada e não é integrada. A tecnologia blockchain vem justamente para suprir isso, integrar e ser transparente para os clientes”, disse em entrevista exclusiva ao Blocknews o CEO e um dos fundadores do banco, Edísio Pereira Neto.

O responsável pela área de tecnologia do banco é Marco Carnut, CTO, que criou a Coinwise, empresa que ficou conhecida por permitir pagamentos em criptos (ver matéria com o CTO).

O executivo teve contato com blockchain em 2016, numa viagem aos Estados Unidos. Lá, andou pelo Silicon Valley, visitou empresas como o Google, percebeu questões como a importância da diversidade dos funcionários para quem quer ser global, como o Zro quer ser.

E isso, associado à sua percepção de que seu segmento de câmbio corria risco de ser dragado por empresas de tecnologia no futuro, percebeu que era hora de começar a matar seu próprio negócio.

O ideal é balanço em blockchain

Pereira começou a empreender aos 16 anos, quando teve sua primeira casa de câmbio. Passados alguns anos, vendeu sua rede, que chegou a 15 pontos, para o Grupo B&T, a maior do país e um de seus parceiros de negócios. Se tornou sócio e diretor.

Hoje, aos 32 anos, está pivotando o braço de câmbio, que ainda existe, para um negócio com pretensões de ser global, com carteira e transferências em moedas fiat e criptomoedas.

“Porque toda instituição financeira tem tanto problema de conciliação, de balanço, se tem blockchain que permite ter dados abertos? O mundo ideal é consultar o balanço online (em tempo real). Então, o Zro Bank é só o primeiro passo do que vai acontecer com o mercado financeiro e outros mercados. A gente ainda sofre um pouco porque não pode fazer algo que vai ser feito em 10 anos.”

Início escalonado dos serviços

Sim, a ideia é permitir que os clientes do banco acessem o balanço em tempo real no futuro por meio de blockchain. Não é à toa que o Zro se apresenta como um banco transparente. Isso será possível quando toda a operação em reais estiver refletida em blockchain.

O Zro Bank, que faz parte do B&T, quer ser banco, carteira digital e exchange numa única plataforma. Para isso, já colocou em funcionamento a conta corrente em reais e bitcoin e as operações de chatbank, pagamento de contas, geração de boletos e transferências bancárias, sem tarifas.

Agora em dezembro, prevê iniciar as operações com Pix. Em janeiro devem começar as transferências internacionais, inclusive em criptos. E até março de 2021, o banco prevê oferecer cartão de crédito com cashback em cripto e conta em dólar e euro. O cartão de débito deverá fazer a conversão de real para cripto e vice-versa e o cliente escolhe de onde vai pegar o dinheiro para pagar uma conta, se da conta em fiat ou cripto.

Tem FGC?

Segundo Edísio, umas das principais perguntas que recebe é se a conta no Zro Bank é coberta pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC). O FGC é um grupo de bancos que cobrem até R$ 250 mil de um investidor num grupo financeiro. “Os clientes ficam preocupados com quem está o dinheiro, mas não onde ele está. No bitcoin, você pode saber se uma exchange tem as moedas”, responde.

Os clientes foco são usuários de criptomoedas, pessoas que querem fazer pagamentos internacionais ou proteger patrimônio com euro, dólar e ouro, como imigrantes, turistas, desbancarizados e clientes locais mas de outros mercados, que querem mandar dinheiro para ao Brasil.

Para a geração Z, que quer o novo

Por isso, o Zro é um projeto especialmente para a geração Z, nascida entre 1995 e 2010 com um celular na mão e que começa a sair da faculdade, ou seja, que começa a entrar no mercado de trabalho. A ideia é que esses clientes façam tudo em três cliques.

Esse grupo é estimado em 20% da população mundial. Segundo estudo da McKinsey com a agência Box1824, são jovens que querem a verdade, liberdade, são inclusivos, abertos ao diálogo, gostam do novo, conectados e aderem a causas que querem transformar o mundo num lugar melhor.

Para esse mercado, blockchain pode cair como uma luva, visto que a ideia do Zro Bank é dar aos clientes opções em criptos, uma novidade, e serviços como recibos que mostrem a operação feita e não apenas confirmem a operação.

Sensação do que é instantâneo

O banco vive então em dois mundos, já que o mercado ainda não está preparado para tudo em blockchain”, diz Pereira. “Queria muito que fosse “clicou, chegou, com operações peer-to-peer (P2P), mas ainda não posso, porque não há instruções normativas para isso. Porém, consigo fazer isso em bitcoin e stablecoins. Estamos dando a sensação do que é instantâneo”.

Segundo ele, um dos maiores desafios de projeto, que consumiu R$ 7 milhões dos sócios, é trazer para o time profissionais que entendam de blockchain. Por isso, a BitBlue, exchange do B&T e que é a plataforma de cripto para o Zro Bank, acabou comprando a Coinwise, carteira de criptos, e seu fundador, Marco Canut, se tornou CTO do Zro.

Não vale só o “checão”

Agora, o banco negocia a entrada de um sócio investidor, que poderá aportar cerca de R$ 20 milhões. É a primeira rodada fora do grupo dos fundadores e a intenção é que seja “smart money”, ou seja, que o sócio agregue expertise ao negócio. O nome pode ser divulgado no primeiro trimestre.

“As fintechs adoram falar que vão acabar com grandes bancos, mas a maioria gosta de ver um cheque grande para abraçar. Não adianta pagar milhões e engessar nosso negócio”, diz o CEO do Zro Bank.

Esse dinheiro será usado, por exemplo, para a internacionalização. “Quero ter opção de dólar e euro com onboarding de qualquer lugar. O Zro foi construído para isso.”

Notarchain, rede blockchain dos cartórios, tem 22 mil registros de atos como divórcios e autenticações

A plataforma de blockchain lançada pelos cartórios de notas, a Notarchain, atingiu cerca de 22 mil atos registrados, como transferências de imóveis, divórcios, testamentos e, desde 16 de novembro passado, documentos autenticados. Tudo o que é assinado digitalmente no e-Notariado ganha também uma hash na Notarchain.

A plataforma blockchain é um módulo do e-Notariado, sistema exclusivo dos cartórios para serviços eletrônicos. Seu desenvolvimento começou há dois anos, mas só pode entrar em operação formal em todo o país com o provimento 100 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em maio passado.

“A nossa solução foi criada institucionalmente porque o cartório depende de leis e normas para tudo. É um segmento muito regulamentado e fiscalizado. Por isso, queríamos uma solução uniforme para todo o país e fiscalizado pelo CNJ”, disse ao Blocknews Giselle Oliveira de Barros, presidente do Colégio Notarial do Brasil.

A startup Growth Tech chegou a prestar serviços em blockchain para cartórios, mas com o provimento do CNJ, teve de pivotar seu negócio.

São Paulo já operava

De acordo com Giselle, as autenticações digitais já aconteciam no estado de São Paulo antes de serem nacionais, porque havia normativa para isso. Mas com a normativa do CNJ, passou a valer para todo o país.

A autenticação eletrônica do documento, segundo ela, valerá por 5 anos, embora o material possa ser verificado por prazo indeterminado por conta do blockchain.

“Isso traz uma blindagem enorme do documento e permite que em 100, 200 anos possa ser recuperada de forma segura sua integridade com a função hash”, disse ao Blocknews Renato Martini, assessor de TI do CNB no desenvolvimento do e-Notoriado. O executivo foi diretor-presidente do Instituto Nacional de Tecnologia da Informação (ITI) por 14 anos, de 2003 a 2017.

No Notarchain ficam registradas as hashes, assinaturas e datas dos documentos. O conteúdo não precisa estar registrado nessa plataforma, porque já está no espaço virtual de cada cartório, completou Martini.

Cada cartório é um nó identificável

Na rede blockchain, cada cartório de notas é um nó. Hoje são cerca de uma dúzia dos 8,6 mil. Além disso, cerca de 1,900 usam o e-Notariado.

Usar o e-Notariado é obrigatório para quem quer prestar serviços eletrônicos, algo que, espera-se, cresça ao longo dos anos, até por pressão dos usuários. Como nem todas as cidades têm essa demanda e muitas vezes nem internet para tal, o processo deve durar alguns anos.

O novo recurso permite tornar um documento digital em físico e autenticado, a materialização, e vice-versa, a desmaterialização de autenticações. Também acelera o envio de documentos certificados.

Para autenticar um serviço na plataforma digital, é preciso contatar um cartório de notas. O usuário deve pedir a autenticação digital e enviar o documento, se for digital, por email, whatsapp ou outro formato eletrônico. Se for físico, terá de levar o impresso ao cartório para digitalização e autenticação. O cliente recebe um documento pdf assinado digitalmente. Os cartórios não autenticam eletronicamente documentos em pdf.

Digitalização dos cartórios

Com uma percepção pelo público de que os cartórios estão atrasados na adoção de ferramentas digitais, Giselle afirma que o segmento têm se digitalizado. Segundo a presidente do CNB, os bancos de dados são digitais, a integração com registro de imóveis também é eletrônica e outros tipos de cartórios, como os de protestos, são totalmente digitais.

“Não temos medo de uma nova forma de praticar o ato (cartorial) e de passarmos para o digital. Faz parte. Mas isso deve ser feito com a mesma segurança jurídica que se espera no mundo físico”, completou.

Facebook pode lançar libra em janeiro de 2021, dizem fontes ao Financial Times

O jornal britânico Financial Times publicou nesta sexta-feira (27) que a Associação Libra, consórcio fundado pelo Facebook, espera lançar sua primeira moeda digital, uma moeda estável lastreada em dólar americano, em janeiro de 2021. As fontes da reportagem não são identificadas e afirmam que a data está atrelada à expectativa de que o regulador da Suíça, Finma, onde a associação está baseada, dê a aprovação para o lançamento.

Atrelar datas a expectativas sobre reguladores é sempre algo questionável, em especial num caso como o da libra, que passou por um grande revés. Inicialmente, o Facebook e a associação haviam anunciado a moeda para deste ano.

Mas a resposta negativa dos reguladores dos Estados Unidos e Europa levou a uma mudança radical de planos. Alguns dos membros iniciais da associação, como Mastercard e Paypal – esta última fundadora do projeto – deixaram a iniciativa e houve um redesenho da moeda. Há outras ainda de peso, como Uber.

A princípio, a libra seria atrelada a uma cesta de moedas e títulos de governo e a rede seria aberta. Agora, a ideia é lançar moedas digitais, cada uma lastreada numa moeda fiat ou moedas digitais de bancos centrais, quando existirem e numa rede mais fechada.

Além disso, a associação está tendo o cuidado de conversar com os reguladores, algo que não fez para lançar o projeto, e está montando uma diretoria de peso, que vem de bancos tradicionais, em especial do HSBC, e muito experiente em questões regulatórias e riscos.

A princípio, a libra seria um dos, ou o maior projeto privado em blockchain do mundo, o que, sendo bem-sucedido, poderia contribuir para o conhecimento e adoção da tecnologia.

Segundo as fontes do FT, a carteira do projeto, antes Calibra e agora Novi, já obteve licença de funcionamento em vários estados norte-americanos, mas ainda faltam dez, incluindo o mais significativo, Nova York.

Startup cria aplicativo para prontuário médico e agenda de visitas com blockchain

A startup Action Voice, focada no segmento médico, criou uma plataforma de registros de dados clínicos e de conexão entre médicos, pacientes e familiares, que utiliza blockchain para segurança das informações.

A WoHZ, como é chamada, está em prova de conceito (PoC). A solução é ativada por voz para criar um prontuário eletrônico e a ideia é de que seja a interface entre os pacientes e quem os atende numa instituição médica, e até mesmo seus familiares.

Isso permite, por exemplo, o acesso a boletins médicos e à organização de horários de conversas de familiares em áudio ou vídeo com os pacientes, de acordo com a situação clínica deles.

Plataforma Hyperledger

A empresa está usando a Hypeledger e afirma ter investido R$ 2,5 milhões no projeto em recursos próprios. Para o CEO da startup, Celso Gama, “a pandemia de Covid-19 agravou uma situação de conflito nas visitas e nos pedidos de informações, forçando os hospitais a adotarem soluções que implicam na gestão e no controle destas questões com mais rigor”.

O aplicativo foi testado em clínicas particulares e agora a empresa espera testá-lo em instituições de maior porte. A princípio, os testes serão em São Paulo e Pernambuco. O valor do uso do aplicativo varia conforme o número de profissionais do sistema, que é de cerca de R$ 30 por profissional, além do valor de setup do servidor da plataforma.

iCoLab busca professores e estudantes interessados em pesquisar sobre blockchain

O Instituto Colaborativo de Blockchain (iCoLab) está buscando professores e estudantes para fazerem parte de seu time de pesquisadores. Podem se candidatar profissionais e estudantes de diferentes áreas, como administração, direito, TI e saúde.

Sandra Heck, co-fundadora e presidente do iCoLab, disse ao Blocknews que o processo começou recentemente e há 3 pesquisadores com vínculo firmado, além de outros interessados.

Os profissionais e estudantes desenvolverão estudos acompanhados por pesquisadores e profissionais do mercado que já atuam com blockchain.

O iCoLab está baseado no Rio Grande do Sul e foi criado em 2019, a partir da iniciativa Blockchain CoLab, que por sua vez aconteceu depois da Grupo de Blockchain Research Group, criado pelo professor Jorge Verschoore Universidade do Vale do Rio dos Sinos.

Verschoore se interessou por blockchain após passar um ano fazendo pós-doutorado na Universidade da Califórnia, Berkeley, onde teve contato com o mundo do Vale do Silício.

Para se inscrever no programa de pesquisa do iCoLab é preciso enviar email para [email protected]. A partir daí, os candidatos receberão um formulário para preenchimento.

Decreto autoriza blockchain em autenticação de documentos pela Receita Federal

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) assinou, na terça-feira (24), decreto que autoriza o uso de blockchain para confirmação de autenticidade de documentos aduaneiros pela Receita Federal.

O decreto 10.550 traz algumas mudanças ao decreto 6.759 de 2009, que regulamenta a administração das atividades aduaneiras, fiscalização, controle e tributação do comércio exterior.

A Receita Federal já está usando blockchain na troca de informações com países do Mercosul sobre os Operadores Econômicos Autorizados (OAE), que têm autorização para processos aduaneiros mais rápidos. O sistema é chamado de b-Connect.

Mais sobre a Receita Federal:

Fase 0 da Ethereum 2.0 é confirmada para 1 de dezembro; promessa é ser mais barata e rápida

O lançamento da Ethereum 2.0 (Eth2), que promete ser mais rápida, barata e sustentável do que a Ethereum 1.0, será mesmo no próximo dia 1 de dezembro. A rede, que permite a realização de contratos inteligentes, é muito usada por empresas para uma diversos tipos de processos, uma das características que a diferenciam da rede Bitcoin.

A confirmação aconteceu nesta terça-feira (24), depois de uma corrida nas última 24 horas para a realização de depósitos de validadores no contrato de participação, necessários para que o cronograma inicial fosse cumprido. Eram necessários 524.288 Ether e isso aconteceu com a contribuição de de 16.384 validadores.

Em menos de 24 horas, faltavam cerca e 40% dos depósitos. A Celsius, plataforma de criptomoedas, foi uma das que fez o depósito na última hora. Foram 25 mil ETH.

Buterin e o trilema

Vitalik Buterin, criador da Ethereum, sempre diz que o desafio é ter uma rede descentralizada que seja escalável e segura, tudo ao mesmo tempo – o trilema da escalabilidade. Ter as duas últimas sem mexer na descentralização é uma grande questão. Os valores de transação na Ethereum tem subido conforme o uso da rede cresce e a capacidade de processar os dados se mostra insuficiente. E isso tem gerado reclamações dos usuários.

As mudanças serão incorporadas de forma gradual. Segundo a organização Ethereum, elas estão sendo estudadas desde 2014 e levaram o nome inicial de “Serenity”.

Na primeira fase, a Beacon chain, uma rede separada, que roda paralelamente à atual, entrará em operação. Com ela, será introduzida a proof-of-stake (PoS) no ecossistema.

A Ethereum usa a proof-of-work (PoW). A Beacon vai coordenar a rede e isso não muda a forma como se usa a Ethereum hoje para os usuários. Muda para os validadores, muda. Eles precisam apostar pelo menos 32 ETH no contrato de depósito e no começo, devem ganhar uma recompensa de cerca de 20% sobre as ETHs investidas. Com a PoS, espera-se também economia de energia, um problema da rede.

Próximas fases

A etapa seguinte é prevista para 2021, com as Shard chains, que deverão aumentar a velocidade das transações para até 100 mil por segundo, o que, se confirmado, é um número enorme até para redes centralizadas. Essa mudança cria a possibilidade de realização de transações em blocos paralelos à da Ethereum, sem sobrecarregar a rede.

Em 2022, a atual mainnet deve se fundir com a Eth2 beacon e shard chains, o que acabará com o PoW da rede.

Brasil tem 181 startups com serviços em blockchain; maioria foca em finanças e B2B

O Brasil tem 181 startups focadas em serviços baseados em blockchain, que desde 2013 receberam apenas US$ 6,6 milhões (cerca de R$ 37,7 milhões) em investimentos. As informações fazem parte do Distrito Blockchain e Criptomoedas Report, divulgado hoje (24).

O relatório mostra ainda que 90 das 181 startups estão concentradas em serviços financeiros, em especial naqueles ligados a criptomoedas, o que difere do mercado internacional, onde finanças inclui mais segmentos de uso da tecnologia. Outras 42 startups se concentram em Blockchain-as-a-Service (BaaS). A categoria de menor representatividade é a de soluções para marketing e mídias.

E muito poucas, apenas 1,1% das starturps, estão ao mesmo tempo na categoria B2B e B2G. Enquanto as de B2B são a maioria, sendo 38% do total, o percentual das duas categorias combinadas mostra que muito poucas estão focadas em soluções para governos.

O estudo confirma uma percepção que se tem quando se transita pelo mundo blockchain: a de que estão concentradas na região Sudeste, que é a casa de 67,4% delas. Só no estado de São Paulo estão 47%. Em seguida vem o Sul, com 19,9%, em especial Santa Catarina e Paraná.

Maioria das startups está focada em finanças. Foto: Distrito Blockchain Report.

Quando o assunto são os investimentos e US$ 6,6 milhões, foram 34 rodadas, a maioria nas fases seed ou pré-seed. Os fundos de venture capital Bossanova e Gear Venture e as aceleradoras WOW e Darwin foram os que mais aplicaram esses recursos. O ano de 2016 foi destaque com a captação de US$ 1,94 milhão pela Intelipost, de logística, numa rodada série A. Bart Digital (US$ 700 mil) e Fohat (US$ 500 mil) também foram destaques no período.

Os números caíram nos anos seguintes e em 2020 se recuperaram em volume e negócios, com US$ 1,6 milhão, quase três vezes o do ano passado, de US$ 639 mil. Neste ano, quem se destacou na captação foram a bolsa de commodities Gavea (US$ 413 mil) e Growth Tech (US$ 350 mil), com captação em rodada pré-seed.

Na era dos ataques cibernéticos, startups focadas em segurança digital levaram 43% do total investido no setor e apresentam uma estimativa de valor maior do que as de serviços financeiros, que embora sejam a maioria, ficaram com 33% dos recursos.

Quando o assunto é mercado de trabalho, as startups demonstram um cenário ainda mais dominado por homens do que em outros segmentos do tecnologia. Apenas 12,2% dos sócios das empresas do relatório são mulheres, com as de segurança digital com o melhor percentual, de 17,8%. Em marketing e mídia não consta nenhuma sócia mulher.

Número de sócias mulheres é baixíssimo nessas startups. Fonte: Distrito Blockchain Report.

A perfil médio dos sócios das startups são homens de 38 anos, de São Paulo e que tem mais um sócio. É uma idade média inferior ao de outros segmentos de startups, como as insurtechs (45 anos) e healthtechs (40 anos).

No total, as 181 startups contabilizam 2,5 mil funcionários, sendo que a maioria desses negócios, 46,2%, tem até 5 funcionários e 39,3% tem de 6 a 20 profissionais.

O Blocknews participou do relatório com um artigo sobre a necessidade de informações confiáveis sobre o ecossistema blockchain no Brasil.

Chainalysis, empresa de análise de dados de crimes com criptomoedas, se torna unicórnio

A Chainalysis, empresa de análise de dados, software e pesquisas relacionadas a blockchain, se tornou um unicórnio. Nesta segunda-feira (23), a empresa anunciou que receberá U$100 milhões (cerca de R$ 570 milhões) em investimentos série C do venture capital Addition, o que eleva seu valor para mais de US$ 1 bilhão (mais de R% 5,7 bilhões). Os investidores Accel, Benchmark e Ribbit também aumentaram seus investimento depois de já terem participado de outras rodadas.

A empresa atende o setor privado, inclusive no Brasil, e órgãos de governo, como o Federal Bureau of Investigation (FBI) e o Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (EUA), em transações e mercados relacionados a criptomoedas.

Agora, a Chainalysis diz que usará o novo aporte para sua expansão internacional. “Estabelecemos uma rede de agências de governos em mais de 30 países e em mais de 250 dos negócios mais importantes do mundo”, disse o co-fundador e CEO da empresa, Michael Gronager. 

Faturamento dobrou

Desde julho, quando estendeu sua série B para US$ 49 milhões, a empresa diz que teve um aumento de 65% de clientes, dobrou seu faturamento anual no terceiro trimestre de 2020 e aumentou em 30% seu time, com a contratação de quase 50 pessoas.

Também abriu escritórios em Cingapura e Tóquio e deu suporte em casos como o ataque cibernético ao Twitter e desmantelamento de duas campanhas de financiamento ao terrorismo nos EUA.

Chainalysis é uma plataforma de regulação financeira para o futuro dos ativos digitais”, disse em comunicado o fundador da Addition, Lee Fixel.

Mais sobre a Chainalysis em:

Brasil recebeu do exterior US$ 9 bi em criptos em 12 meses, maior volume da América Latina