Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

China emite primeiras notas promissórias em blockchain

O China Zheshang Bank (CZB) emitiu o primeiro commercial, notas promissórias de título de dívida de curto prazo, usando blockchain. A emissão foi de U$16,93 billion (120 bilhões de yuans) e é um projeto piloto da associação chinesa dos investidores institucionais, a NAFMII.

O título é do tipo que, em geral, tem período de 3 a 9 meses e é usado por empresas pequenas e médias empresas para cobrir suas necessidades financeiras no curto prazo. Socorrer essas empresas tem sido bastante necessário com a crise econômica causada pela pandemia do Covid-19.

No caso do “Lianxin 2020 Lianjie First Phase Asset-backed Commercial Paper,” o título é de 6 meses e poderá ser prorrogado. O título é de nove empresas públicas e privadas de setores como químico e cidades inteligentes. Não foi informado o que será feito com os recursos levantados.

Plataforma financeira

O banco não informou qual plataforma de blockchain está sendo utilizada. O que se sabe é que blockchain é a base para a plataforma de recebíveis financeiros, que tem 4 mil dos clientes pessoa jurídica do banco e que emitirão 100 mil recebíveis.

A China continua sendo um dos países que mais anunciam iniciativas em blockchain. São ações do governo central, das províncias e empresas, o que está em linha com o plano do presidente Xi Jinping de tornar o país uma referência em blockchain no mundo.

Para Federal Reserve, CBDC beneficia cliente na crise, mas afeta concorrência

O Federal Reserve Bank da Philadelphia avalia que moedas digitais de bancos centrais, as CBDCs, têm o benefício de dar a possibilidade aos consumidores de terem conta bancária diretamento no banco central.

Isso abriria uma competição com os bancos privados, com exceção de projetos de longo prazo, porque essa não é a especialidade dessas institições.

E em períodos de pânico financeiro, por ser mais estável do que bancos comerciais, os centrais podem evitar uma corrida para saques.

O outro lado da moeda é que por ser monopólio, quanto mais o banco central for o banco dos consumidores, mais vai afetar o amadurecimento do mercado.

Estudos em alta

Essas são conclusões do relatório “Central Bank Digital Currency: Central Banking for All?”, do Federal Reserve d Philadelphia.

Este é mais uma das instituições monetárias do mundo que estudam o assunto. De acordo com o economista Gustavo Cunha, especialista no assunto, o número de estudos sobre o tema cresceram de forma siginificativa neste ano.

Há relatórios de economias como a União Europeia, França, Reino Unido, Estados Unidos, China e Suécia, para ficar em alguns exemplos, e do banco central dos bancos centrais, o BIS.

Os motivos para isso incluem o anúncio de lançamento da Libra por um grupo liderado pelo Facebook e a decisão da China de ter uma CBDC. A moeda chinesa poderá ser a primeira das economias de peso no mundo.

Com isso, os bancos centrais tentam entender, primeiro, do que se trata uma CBDC e seus impactos. A partir daí vão avaliar se, como e quando emitirão uma.

Supevisor dos bancos dos EUA abre consulta sobre criptoativos

O Escritório do Controlador da Moeda dos Estados Unidos (OCC) abriu uma consulta pública para saber os bancos do país poderiam operar criptoativos e criptomoedas e se faria sentido usarem a tecnologia de registro distribuida (DLT).

A ideia é criar um ambiente mais aberto ao uso de tecnologias e de inovação, uma das funções do OCC.

Outros pontos perguntados incluem se as regras atuais emperram a inovação e se há atividades digitais ainda não cobertas pelas regras.

O Escritório administra o sistema bancário do país, o que inclui quase 1,2 mil bancos, associações de poupança e agências de bancos estrangeiros responsáveis por cerca de 70% dos negócios bancários do país.

PL propõe registro de pessoas, empresas e imóveis em blockchain

O senador Acir Gurgacz (PDT/RO) apresentou, ontem (5), um projeto de lei para que o registro civil de pessoas e empresas, de títulos e documentos e de imóveis passe a ser feito por blockchain.

Com isso, seria criado o Sistema Eletrônico de Blockchain Nacional de Registro de Títulos e Documentos e o Sistema Eletrônico de Blockchain Nacional de Registro de Imóveis, a serem disponibilizados pelo Conselho Nacional de Justiça.

O PL 2876/2020 diz que os registros deverão ser feitos “também” nesses sistemas. O texto prevê uma alteração da Lei 6.015 de Registros Públicos. O texto está em consulta pública no site do Senado.

A proposta defende o uso de blockchain porque opera com “uma descentralização como medida de segurança”. O PL diz que é uma tecnologia que dificilmente é fraudada.

“A continuidade do uso apenas do papel para a eficácia dos registros públicos não tem adesão social e geram a quebra das legítimas expectativas das pessoas comuns e das empresas, bem como suprimem as vantagens trazidas pelo uso coerente da moderna tecnologia da informação”, diz o documento.

Federação de agro do RS cria portal para estimular digitalização do setor

A Comissão de Inovação da Farsul, a Federação de Agricultura do Rio Grande do Sul, lançou o portal HackatAgro.com, para promover uma rede que estimule a digitalização do setor, de produtores a investidores e associações, para aumentar a renda, eficiência e sustentabilidade da agricultura.

Segundo o líder da comissão, Donário Lopes de Almeida, “o processo de digitalização do agro já vinha acontecendo e o distanciamento social provocado pelo Covid-19 abriu oportunidades nessa área nas cadeias de produção. “Vamos estimular o ecossistema de inovação a direcionar esforços para a solução dos problemas do agro”, completou.

Esse movimento começou há cerca de dois anos com a sensibilização do setor, o que incluiu as empresas focadas em tecnologia para agricultura, as agritechs. O HackatAgro.com terá webinars, vídeo e podcasts, e-books, e a segunda edição do Hackathon do agro em dezembro.

Nike faz acordo para consumidores receberem cashback em tokens Pluton

A Nike fez um acordo com a Plutus, startup inglesa que tem um app de serviços financeiros em criptomoedas, para que seus clientes tenham cashback – devolução de parte do valor das compras feitas nas suas lojas com o Plutus Visa Card .

A startup já tem parceiros como parceiros marcas como Airbnb. 

Minyi Soon, CPO da Plutus, é possível comprar um Nike Air Max, customizar no site Nike By You e ter um cashback de 90%, além dos 3% de criptoback pela compra.  Os ganhos aparecem como tokens Pluton, um ERC-2- da Ethereum.

Accenture, IBM, Microsoft, R3 e UBS formam grupo para incentivar uso de tokens

Um grupo de mais de 30 empresas e instituições iniciou, ontem (2), a operação da InterWork Alliance (IWA). O objetivo é criar padrões que aumentem o uso de ativos tokenizados por meio de uma plataforma neutra, uma vez que a falta desses padrões está emperrando a adoção de modelos de negócios distribuídos.

Entre os membros do grupo estão empresas como  Accenture, Chainlink, HACERAHedera Hashgraph, IBMINGMicrosoft,  NasdaqNeo Global Development, R3Tokensoft e UBSWeb3 Labs, além de associações como Blockchain Research InstituteBritish Blockchain Association (BBA)Cloud Security Alliance, Global Blockchain Business Council (GBBC), HyperledgerInternational Token Standardization Association (ITSA).

Segundo a IWA, o fato de haver uma grande quantidade de plataformas está dificultando o uso de ativos tokenizados. Por isso, é necessário ter padrões no nível dos negócios, para que as empresas primeiro decidam aplicar modelos de negócios distribuídos, antes de pensar qual plataforma vão usar.

A aliança vai definir padrões para aplicações distribuídas, incluindo estruturas para tokenização de ativos, redação de contratos sobre esses tokens e análises de preservação de dados de vários membros. O grupo fará um webinar para falar sobre como vai trabalhar, o “Intro to the InterWork Alliance – Accelerating the Token Economy,”  

Blocknews e Mentors Energy realizam 1º Simpósio sobre blockchain em energia

Controle em tempo real de milhões de dados de distribuição, emissão de certificados confiáveis de energia renovável e venda direta entre pessoas (P2P) são algumas das soluções inovadoras que blockchain está permitindo no setor de energia no mundo, em especial na Europa e Ásia. E é nítido o ganho de eficiência que esses movimentos geram nos sistemas e nas empresas.

No Brasil, geradoras e distribuidoras começam a testar e usar blockchain. As oportunidades de avanço aqui são enormes pelo tamanho do mercado, pela necessidade real de modernização do setor e porque está em curso a aprovação do novo marco regulatório que vai mudar a forma como as empresas vão operar.

“Percebemos a necessidade imediata no desenvolvimento de soluções blockchain para acelerar os processos internos e externos junto a clientes, parceiros e fornecedores, propondo aumento da qualidade das informações e redução de custos”, diz João Carvalho, fundador da consultoria Mentors Energy.

Para discutir sobre os casos de uso e as possibilidades para o Brasil, o Blocknews e a consultoria Mentors Energy vão realizar o “1º Simpósio sobre o Potencial da Blockchain no Setor de Energia”, no próximo dia 9 de junho (terça-feira), às 14h00. O evento terá a participação de Carlos Rischioto, líder técnico de blockchain da IBM, Luiz Rolim, especialista de sistemas de energia do CPqD, Igor Ferreira, CEO da Fohat, e Alexandre Boschi, gerente sênior de supply chain, logística e manufatura da EY. O evento será online e gratuito. As inscrições podem ser feitas pelo link https://bit.ly/2ABow6M .

As próximas edições do simpósio serão nos dias 16, 23 e 30 de junho, sempre às terça-feiras, das 14h às 15h.

Mercado em transformação

“O mercado de energia está passando por uma transformação, com a expansão das fontes de energias limpas e renováveis, além do crescimento da micro-geração e dos prosumers,, que são os consumidores que também geram energia. A complexidade nos controles e registros das transações é cada vez maior e blockchain surge para aumentar a confiabilidade e segurança nas transações”, diz Rischiotto.

Além do movimento global de descarbonização, o novo marco regulatório, proposto no PLS 232/2016 que está no Senado Federal, vai fazer “o Brasil abrir seu mercado de energia e novas oportunidades surgirão”, afirma Ferreira. Até a pandemia do Covid-19 está influenciando as empresas do setor, que estão repensando suas operações, completa o CEO da Fohat.

A perspectiva de aumento dos investimentos em blockchain no setor preevem crescimento de dois dígitos nos próximos anos. Há estudos que estimam que os investimentos globais vão saltar de US$ 156 milhões em 2016, para US$ 34,7 bilhões em 2025.

“A aplicação de blockchain no setor pode ser um catalisador para o modelo de negócio e a mudança de processos em toda a empresa. No Brasil, os líderes empresariais e o poder público já vêm acompanhando a discussão e entendem todo potencial do blockchain e os seus benefícios para o desenvolvimento da energia no país”, afirma Boschi.

Por isso, é preciso entender que não se trata apenas de uma tecnologia ou de um processo de transformação digital. Se trata também da introdução de novos modelos de operação e de arranjos regulatórios comerciais, que deverão fomentar o desenvolvimento do mercado de energias renováveis, em sintonia, por exemplo, com a geração distribuída, o armazenamento de energia e iniciativas em mobilidade elétrica”, completa Rolim, do CPQD.

Na vizinhança, o Chile escolheu o setor de energia para começar a usar blockchain e nesse sentido está mais adiantado do que o Brasil. Há dois anos, a Comissão Nacional de Energia (CNE) anunciou um projeto em que, na primeira etapa, foram incluídas na rede informações de dados como capacidade elétrica instalada, geração em usinas e residências, preços médios do mercado, custos marginais o cumprimento de regras do setor.

BMW avança em blockchain com mais uma iniciativa, um programa de vantagens

A BMW anunciou mais uma iniciativa em blockchain. Sua unidade na Coréia do Sul disse ontem (1) que vai iniciar os testes de um programa de recompensas que usa a tecnologia e que a montadora pretende implantar no resto do mundo. O objetivo é gerar mais atividades de relacionamento com o cliente.

Pelo BMW Vantage, os participantes poderão acumular moedas e usá-las empagamentos e descontos de serviços e produtos em diversos setores, incluindo viagens e educação.

A montadora tem diversas iniciativas em blockchain. Uma delas é o rastreamento de peças de fornecedores. Uma outra é o MOBI, um consórcio de empresas, governos e organizações não governamentais (ONGs) que estudam o uso da tecnologia em mobilidade.

Fraude na quilometragem

E tem ainda uma iniciativa para combater fraudes nos odômetros, com a manipulação dos dados de quilômetros rodados pelo veículo. Essa solução foi desenvolvida pela VeChain, uma startup que teve apoio da BMW.

O lançamento do BWM Vantage está previsto para o final do ano e agora a montadora está convidando voluntários. Os primeiros mil voluntários receberão 30 mil moedas pelo aplicativo do programa.

Os pontos são acumulados quando se compra um carro, um produto ou serviço BMW ou em outros atividades, como pagamentos.

Leia mais sobre blockchain na indústria automotiva em:

Mercedes-Benz rastreia emissão de C02 em cadeia de cobalto usao em baterias

Amazon obtém patente para rastrear cadeia de fornecedores por blockchain

A Amazon patenteou no USPTO, órgão dos Estados Unidos responsável por fazer os registros, um sistema que usa blockchain para rastreamento e monitoramento de sua cadeia de suprimentos. Segundo a empresa, até agora só era possível rastrear uma parte limitada da cadeia, em geral aquela que era de interesse de quem criou a solução.

É fato que os monitoramentos, quando existem, em geral são dos fornecedores diretos dos fabricantes de produtos ou elaboradores de serviços. Pouco se monitora os fornecedores dos fornecedores.

Para Maurício Magaldi, da comunidade Hyperledger (capítulo Brasil), mentor de startups baseadas em blockchain e host do BlockDrops Podcast, o pedido de patente tem um significado grande porque além de a Amazon ser o maior site de compras, a iniciativa evita casos de produtos falsificados.

Em seu pedido, a Amazon exemplifica que quando um item é adicionado no sistema de catálogos, sua informação é incluída no começo do registro da cadeia para esse item. Uma certificadora pode fazer parte do sistema para verificar se os produtos correspondem ao que está no catálogo, baseado em uma ou mais regras de certificação.

Se os requerimentos forem cumpridos, a informação é registrada para indicar transferência de um produto de um fornecedor para o sistema de catálogo. A informação da certificação pode se apresentada com a descrição do item quando houve busca por ele no catálogo.

As características de registro distribuído e certificação fornecem uma confirmação melhorada de certificações de terceiros, disse a Amazon.

“Os usuários podem pedir informação sabendo que um produto se movimentou na cadeia de suprimentos e manteve sua autenticidade, como verificado em alguns casos por requerimentos estabelecidos por uma terceira-parte independente”, diz o pedido de registro.