Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Prêmio inédito será entregue a 50 mulheres de destaque em cibersegurança da AL

A LATAM Women in Cybersecurity (WOMCY) e a Women in Security & Resilience Alliance (WISECRA) vão anunciar, amanhã (17), a lista das 50 premiadas na primeira edição do ‘Top Women in Cybersecurity – Latin America 2020’.

Um painel de dez executivos renomados do setor analisaram as 150 indicações recebidas. As escolhas levaram em conta as contribuições que as premiadas fizeram para a indústria e em prepararem o caminho para as gerações futuras de profissionais do sexo feminino.

As profissionais atuam em diferentes áreas da segurança cibernética, como vendas, engenharia e desenvolvimento técnico.

O evento será online, às 20hs, e as inscrições são feitas pelo link https://lnkd.in/e-ajaEF

Participarão do evento Leticia Gammill, presidente da WOMCY, Bonnie Butlin, coordenadora internacional da WISECRA, e Ignacio Perrone, diretor de pesquisa de TIC da Frost & Sullivan, que falará sobre o status das mulheres na segurança cibernética e as perspectivas do “novo normal”. Alison Treppel, Secretária Executiva do Comitê Interamericano contra o Terrorismo (CICTE), da Organização dos Estados Americanos (OEA), também participará.

Leia mais sobre a Womcy e a premiação em:

WhatsApp lança serviço de pagamento no Brasil que usa Facebook Pay

O WhatsApp lançou hoje (15), no Brasil, o serviço de pagamento e transferência de dinheiro pelo aplicativo. É o primeiro mercado do mundo onde o serviço estará disponível.

Para fazer a transação, é ativado o Facebook Pay, só usado até agora nos Estados Unidos. Para isso, o usuário deve clicar no ícone do clipe que aparece no final da mensagem e ativar o pagamento. O serviço é uma parceria com a Cielo.

Com isso, o Facebook está cada vez mais operando na seara de pagamentos digitais. Com a moeda libra, para a qual usará blockchain, a empresa já busca se tornar um serviço de pagamento global, o que tem gerado diversas críticas de reguladores.

A empresa diz que com esse serviço, está de olho nos pequenos comerciantes que usam o aplicativo como ferramenta de trabalho.

Podem ser usados cartões de débito e crédito do Banco do Brasil, Nubank e Sicredi com bandeiras Visa e Mastercard, segundo noticiou o Valor. Mas outros bancos poderão participar também.

Será permitido o envio de até 1 mil por operação e 20 operações por dia e R$ 5 mil por mês.

Unilever usará blockchain para provar redução de emissão de carbono

A gigante de bens de consumo Unilever anunciou hoje (15) um plano para zerar a emissão líquida de carbono em sua cadeia de produção até 2039 e para ter, até 2023, uma cadeia de fornecimento que não esteja ligada a desmatamento. Para isso, usará tecnologias como blockchain, monitoramento por satélite e rastreamento por geolocalização.

A empresa afirma que para atingir essas metas, precisará haver uma transparência ao longo de sua cadeia de produção que não existe hoje. No futuro, pretende comunicar o nível de carbono dos produtos que vende.

Sua marca de sorvetes Ben & Jerry’s já usa blockchain em crédito de carbono em uma loja.

O plano, segundo a Unilever, tem o objetivo de proteger, regenerar e preservar recursos naturais, de forma a combate a mudança climática.

Um grupo que cresce

A Unilever é mais uma das empresas que está anunciando o uso de blockchain para garantir que seus produtos não são destruidores líquidos da natureza. Essa tendência tem como base a demanda, em especial de novos consumidores, que prezam pela sustentabilidade.

“Precisamos reconhecer que a crise climática não é só uma emergência ambiente. Ela também tem um impacto terrível nas vidas e na subsistência . Temos a responsabilidade de ajudar a enfrentar essa crise como negócio e através de uma direta de nossas marcas”, disse o CEO da empresa, Alan Jope.

O plano inclui outros pontos, como apoio à nova geração de produtores rurais para regenerarem o meio ambiente, a adoção de um Código de Regeneração da Agricultura para os fornecedores e implementação de programas de manejo de água em locais onde há escassez.

Além disso, a empresa vai investir 1 bilhão de euros (cerca de R$ 6 bilhões) num novo Fundo de Clima e Natureza nos próximos 10 anos .

Inscreva-se no 2º painel do Simpósio O Potencial da Blockchain no Setor Energético

Inscreva-se no 2º painel do Simpósio O Potencial da Blockchain no Setor Energético, promovido pelo Blocknews e a consultoria Mentors Energy.

O tema do painel é “Soluções oferecidas pelo Mercado” e vai contar com a participação de Paulo Simões, da Oracle, Nayam Hanashiro, da R3, Marcela Ribeiro, da Multiledgers, e Bernardo Machado, da Interchains.

O link para inscrição é https://bit.ly/3hlrPQ5. O evento é online e gratuito.

O primeiro painel aconteceu no dia 9 de junho com a IBM, CPqD, EY e Fohat discutindo “Cenários do uso de Blockchain no Mundo e no Brasil”.

O simpósio ocorre às terças-feiras, das 14h às 15h.

Carga inteligente e balcão tokenizado. É a blockchain em energia

Negociar e gerenciar transações com mais facilidade e eficiência, vender e até usar roaming para consumo de energia, como se faz com os telefones. Esses são alguns dos usos que blockchain permite e que foram apresentados na abertura do 1º Simpósio O Potencial da Blockchain no Setor Energético”, na terça-feira (9).

Representantes da IBM, CPqD, Fohat e EY discutiram sobre “Cenários do uso da blockchain no mundo e no Brasil” no evento organizado pelo Blocknews e a consultoria Mentors Energy. O segundo painel será na próxima terça-feira (16) sobre o tema “Soluções oferecidas pelo mercado”, com Oracle, R3, Multiledgers e Interchains. O link da inscrição é https://bit.ly/3hlrPQ .

Segundo Alexandre Boschio, gerente sênior de supply chain, logística e manufatura da EY, a evolução no segmento de energia elétrica está influenciando as novas tecnologias. Novas fontes, como solar e eólica, geram perguntas das empresas, como onde devem investir e como usar as novas soluções.

Há novas ideias e a lei 9991/2000 traz a possibilidade para as empresas de distribuição de investirem 1% da receita operacional líquida em projetos. Isso pode subsidiar investimentos iniciais em MVPs (Minimum Viable Product) ou PoC (prova de conceito)”, afirmou o executivo. Segundo a lei , 0,75% da receita deve ser em P&D para ajudar a desenvolver o setor e 0,25% em programas de eficiência energética.

150 projetos no mundo

Segundo Boschi, já foram lançados cerca de 150 projetos de blockchain no setor de energia no mundo e 86% deles estão em PoC ou teste. E há uma aceleração desses números. Ainda não há dados sobre o Brasil, onde também há novos projetos.

Os investimentos estão previstos para atingirem US$ 3,7 bilhões em 2026, sendo 67% concentrados em atividades transacionais de energia. Os recursos em veículos elétricos devem começar a aparecer na conta em 2021.

No Brasil, a EY empresa montou um time apenas para trabalhar com blockchain, que é desenvolvida em 7 laboratórios da empresa no mundo. Há 50 soluções prontas para serem implantadas em diferentes setores.

Em energia, um dos casos em que a EY participou é de rastreabilidade de origem da energia de uma empresa que opera nos Estados Unidos e Europa. Esse segmento certamente vai se desenvolver com a preocupação de pessoas e empresas de garantirem que usam energia renovável.

3 motivos que movem o setor

O que tem gerado essa movimentação do setor em busca das novas tecnologias está relacionado à tendência mundial de digitalização, como da comunicação das redes, de descentralização dos recursos energéticos e de eletrificação para uso de uma energia mais limpa, disse Luiz Ramos, especialista de sistemas de energia do CPqD. A empresa está envolvida em diversos projetos com blockchain no Brasil e também no exterior.

“Teremos um ambiente mais complexo no setor, com um consumidor com carro elétrico, em programas de gestão de demanda, que vai participar de forma mais intensa na distribuição e geração”, exemplificou.

Para Ramos, discussões promovidas pelo governo e reguladores desde 2017 estão caminhando nessa nova organização do setor. As discussões incluem a revisão das regras de geração distribuída e de modernização do setor, para ficar em alguns exemplos.

Para exemplificar esse novo mercado, Ramos mostrou o projeto de marketplace desenvolvido por CPqD, Copel e Aneel. É um modelo transacional em rede blockchain fechada (permissionada), que permite a compra e venda de energia entre consumidores e prosumidores (consumidor que também gera a energia).

Isso é feito com o uso de tokens (ativos digitais, algo como a ficha de quermesse), permite nova remuneração de excedente de produção e mais competição.

Blockchain no lugar certo

Mas, Ramos faz um alerta: é preciso analisar bem antes de se decidir por blockchain. A tecnologia já teve seu momento hype, o que fez com que fosse usado em situações inadequadas.

“Blockchain deve ser a escolha mais adequada quando comparada a outras opções convencionais. Incertezas técnicas e financeiras devem ser tratadas, em conjunto com os aprimoramentos de natureza comercial e regulatória. Há oportunidades para quem está no mercado, como as empresas tradicionais e as entrantes”, completou.

Para Igor Ferreira, CEO da Fohat, empresa de soluções em energia que tem projetos com blockchain no Brasil, Chile, Espanha e Austrália, o uso da tecnologia em energia passou a ser um grande diferencial com o smart contract (contrato inteligente) da rede Ethereum.

Além de criar eficiência, pode gerar também receita, lembrou ele, como no caso da venda de  excedentes prevista no projeto num mercado municipal na Austrália. Nele, o mercado e a comunidade do entorno podem produzir, consumir e vender energia entre si.

A Fohat particpa do desenvolvimento de uma plataforma para a AES para fechamento de contrato de energia. “Nossa ideia é criar um ambiente de balcão tokenizado que usa blockchain para melhorar a segurança na negociação bilateral. Um dos mecanismos é a execução de ordem, comunicação entre as partes e informação a mercado”, disse Ferreira. Quando são negociados, usa-se o smart contract para o fechamento e registro na blockchain na (rede) da Energy Foundation, completou.

Cidades inteligentes

De acordo com Carlos Rischioto, líder técnico de blockchain da IBM, além do uso da tecnologia nas operações tradicionais das empresas, blockchain está ligada a conceitos novos, como o de cidades inteligentes.

A empresa está participando de projetos inovadores em diversas partes do mundo, como o da Tennet, na Holanda, em que uma ilha hoje funciona num novo modelo: o usuário de um carro elétrico, quando chega em casa à noite, no pico do consumo de energia, devolve para a rede o que há de excedente na bateria do seu veículo. Passado o pico, o carro é recarregado.

“Blockchain ajuda a coordenar toda essa operação e a remunerar o dono do carro pela energia devolvida ou, no mínimo, faz a empresa trocar a bateria do carro, já que aumenta o ciclo de recarga, o que reduz sua vida útil”, afirmou.

A Holanda está bastante à frente em energia limpa e blockchain, com vários projetos em vários setores, se destacando muito em energia limpa”, completou.

Pode parecer coisa muito do futuro, mas o executivo afirma que com a Enexis desenvolve o roaming de energia. Um exemplo é uma pessoa que usa o carro da empresa em que trabalha. Ao recarregar a bateria em casa, dispositivos inteligentes saberão que a empresa dona do carro tem um contrato de compra de eletricidade com uma operadora de outra cidade, por exemplo. O carregamento é feito e depois as distribuidoras acertam as contas.

É um mundo novo e não tão distante. “Se prestarmos atenção nos ambientes de energia, geração, transmissão e distribuição, estamos chegando a modelos que podem sugerir a criação de novos projetos”, diz João Carvalho, CEO da Mentors Energy.

O Simpósio acontece entre julho e julho, sempre às terças-feiras, das 14h às 15h.

Após criptos, Louis Vuitton pede registro de blockchain para e-commerce no Brasil

A Louis Vuitton registrou um pedido de patente de blockchain para e-commerce no Brasil, três meses depois de registrar a criação de criptomoedas e serviços financeiros.

Desde 2019 a empresa tem dado passos para usar blockchain em seus negócios. A empresa usa o nome Aura para sua plataforma.

Um dos usos da plataforma seria a de rastreamento de seus produtos, um dos mais falsificados no mercado.

O pedido de registro de e-commerce foi divulgado na Revista da Propriedade Industrial (RPI).

Ministério da Ciência e Tecnologia discutirá benefícios de blockchain

A Escola Superior de Redes (ESR) vai realizar um webinar sobre os benefícios do uso de blockchain em serviços digitais do governo.

A escola é um braço da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), órgão do governo responsável pela capacitação e disseminação de conhecimento em tecnologias da informação e comunicação (TIC). E por isso, ligado ao Ministério da Ciência e Tecnologia.

O evento será no dia 23 e aberto ao público. O objetivo é discutir o que só blockchain pode oferecer.

A especialista internacional na tecnologia, Tatiana Revoredo, será a palestrante, e Fabíola Greve, professora da Universidade Federal da Bahia, será a debatedora.

Os pontos de discussão no webinar “Vantagens e desafios do uso de blockchain nos serviços digitais prestados pelos governos” incluem os tipos de plataformas, de algoritmos de consenso e regulação.

Câmara Brasileira do Livro registra obras e contratos em Ethereum

A Câmara Brasileira do Livro (CBL) colocou no ar, ontem (10), uma plataforma Ethereum para registro de direitos autorais e de contratos por meio de blockchain.

Para a instituição, essa é uma das maneiras mais fáceis de se proteger a produção intelectual, uma vez que certifica a autoria ou titularidade de uma obra. Registrar uma obra, por exemplo, não é obrigatório, mas garante a autoria para o verdadeiro criador e confirma que a obra já existia naquela data.

No caso de direitos autorais, além de livros, a plataforma permite o registro de obras como músicas, ilustrações,  roteiros, coreografias e fotografias. Também podem ser registrados contratos, como os de edição, cessão de direitos autorais e de prestação de serviços.

“As discussões (sobre o uso de blockchain) começaram há cerca de um ano. Constada a confiabilidade, passamos a discutir as funcionalidades da aplicação. O serviço é prático, seguro e rápido”, disse Fernanda Garcia, gerente executiva da Câmara Brasileira do Livro, ao Blocknews.

Primeiro do tipo

“No fim do ano passado, começamos a conversar com a CBL para desenvolver um serviço rápido, barato e seguro”, disse ao Blocknews Fernando Barruenco, CEO da Bomesp, que desenvolve soluções em blockchain e também é bolsa de moedas virtuais.

Segundo ele, é o primeiro sistema desse tipo no Brasil. “Basta subir no portal um pdf ou MP3 na plataforma, por exemplo”, completa Barruenco.

Segundo Fernanda, o potencial de uso da plataforma para registros é muito grande, mas não foi informada a previsão. O custo de implantação, que não foi revelado, foi acessível, completou.

No site da CBL há a lista do que pode ser registrado.

A câmara decidiu digitalizar serviços da câmara para facilitar os processos para os usuários, fazendo a integração deles numa única plataforma.

Os valores do registro de obras são de R$ 39,90 para associados da CBL e de R$ 69,90 para não associados. Os registros de contratos custarão R$ 49,90 para associados e R$ 99,90 para não associados.

Protocolo Baseline testa integração entre Google Sheets e Microsoft 365

O Protocolo Baseline , um projeto open source lançado em março por Consensys, EY e Microsoft, e que conta agora com 14 empresas, anunciou uma prova de conceito (PoC) que permite a verificação de dados de sistemas de planejamento de recursos das empresas, os ERPs, e planilhas.

Na prática, significa a integração para Google Sheets e Microsoft 365. Há duas semanas, o Baseline lançou uma integração entre SAP e Dynamics 365.

As empresas gastam milhões de dóalres em sistemas de registros de dados como ERP e CRM, mas não conseguem sincronizá-los perfeitamente com outras organizações. Isso leva a problemas como disputas, perdas de inventários e ações regulatórias, o que na prática, significa perda de dinheiro e até de mercado.

Segundo o grupo, as soluções atuais criam uma camada de integração que só as grandes empresas podem pagar. No entanto, o Baseline usa a plataforma pública Ethereum Mainnet como camada de referência, a qual opera todo o tempo, não pode ser derrubada pelas empresas e os participantes pagam conforme usam.

O protocolo pode ser usado por empresas de todos os tamanhos e com todos os tipos de sistemas de informação. “Muitas empresas pequenas ainda usam planilhas para monitorar contratos e pedidos de compras, disse George Spasov, da LimeChain, que ajudou a desenvolver a PoC.

Fazer a linha de base é permitir que um registro em um sistema seja verificável da mesma forma em seu registro correspondente em outro sistema. Isso permite que a informação continue num database tradicional, com uma fonte única de informação que seja confiável para as empresas envolvidas.

Em 2020, mandamos a SpaceX ao espaço, mas ainda matamos George Floyd(s)

SpaceX mandando astronauta para a estação espacial internacional; o Covid-19 (ele, de novo) e a morte de George Floyd. Misturando os assuntos das últimas semanas, a gente acha uma grande correlação entre eles. Quer ver?

O assassinato de George Floyd foi o estopim de uma onda de protestos varrendo os Estados Unidos (EUA) e se propagando por outros países. As imagens mostram claramente que a abordagem policial foi completamente enviesada, desumana e inconcebível. Racismo em sua essência.

Não é razoável que a cor da pele, local de nascimento, gênero, opção sexual ou crença religiosa seja motivo para tratamento diferente. Foi assim desde que o mundo é mundo. É assim em pleno século XXI. Conseguimos tantos avanços tecnológicos, mas ainda precisamos nos esforçar para lidar bem com nosso semelhante e sermos uma sociedade mais inclusiva, o que inclui também a área de tecnologia, onde claramente há um desequilíbrio de raças.

Obviamente há todo um histórico de racismo. O modus operandi da escravidão, promovida pelos europeus, continuou operando na América mesmo depois da independência. Um histórico tão carregado, que apesar de direitos civis iguais pelas leis, ainda não há igualdade para todos.

Além de toda a questão política e social, ainda há a humana: o preconceito implícito, em que o inconsciente das pessoas tenta simplificar o entendimento de sua realidade, gerando pré-conceitos para rápida – e muitas vezes erroneamente – tentar entender os fatos ao redor. Esse “entendimento” gera um conforto e também preconceitos e esteriótipos, o que deve ser combatido.

Não vou me estender sobre as origens e motivos do racismo, um problema que precisa ser encarado de frente e resolvido. Mas deixo 2 links no final deste artigo de ícones que admiro da NBA, a liga norte-americana de basquete. Um é do Kareem Abdul-Jabbar, lenda como jogador, e o outro é de Masai Ujiri, presidente do Toronto Raptors e responsável pelo atual título da NBA de seu time.

Covid e racismo

Junte-se a esse contexto as restrições impostas pelo Covid-19, que colocaram a situação das famílias no limite. E nas famílias com menos oportunidades, boa parte delas negras, o limite é muito mais restritivo. Nos EUA, passou-se o número de 40 milhões de desempregados, com taxa de desemprego de 14,7% ao fim de abril. Nas populações negras e hispânicas esses percentuais foram piores: 16,7% e 18,9%, respectivamente.

Nesse caldeirão de desespero, a morte chocante de George Floyd foi o estopim para demonstrar as inequalidades e o racismo que foram severamente catalisados pelo Covid-19. Para piorar a cena política americana, seu presidente jogou mais lenha na fogueira (qualquer semelhança com o Brasil não é mera coincidência…)

Dragon Crew

E eis que no meio desse mar de notícias ruins, surge a Dragon Crew e seu envio exitoso de dois astronautas americanos para a estação espacial internacional. A mídia deu bastante atenção a esse fato, especialmente a americana. Desde 2011, a maior potência mundial e espacial tinha que  vexatoriamente pedir uma “carona” para a agência espacial russa, arqui-inimiga da guerra-fria, para levar seus astronautas à estação espacial.

Se a mídia mundial destacou essa última informação acerca do lançamento, e a americana o fez com um tom patriótico, destacaria outras 2 características muito mais relevantes.

A primeira grande característica é que o foguete Falcon 9, que venceu a gravidade terrestre para colocar os astronautas em órbita, voltou à Terra, num pouso milimétrico. Isso mesmo, estamos acostumados a ver foguetes historicamente colocarem tripulações em órbita para em seguida virarem lixo espacial. O Falcon 9, como boa parte dos foguetes da SpaceX, não só retornou à Terra, como será reutilizado em futuras missões. Que bela forma de aplicação da tecnologia: mais barata e com menos consumo de recurso.

A segunda grande característica da missão é que pela primeira vez uma empresa privada levou gente para fora do nosso planeta. Reparem: uma startup com menos de 20 anos conseguiu esse feito com segurança, menor custo e menor uso de recursos. Acompanho a Spacex há algum tempo e vi que o sucesso não veio repentinamente. Foram feitos vários testes, missões não tripuladas e foguetes explodidos no meio do caminho.

O maior simbolismo para mim é o do acesso às tecnologias revolucionárias. Esse acesso não está mais restrito aos programas militares, agências nacionais e universidades de ponta. Pessoas comuns estão fazendo coisas extraordinárias.

E como juntar as histórias de Elon Musk (fundador da Spacex) e George Floyd? Personagens tão distintos, mas que orbitaram sentimentos tão antagônicos simultaneamente em nós recentemente.

A realização de Musk nos fez sentir sucesso, orgulho, euforia. O trágico assassinato do George nos fez sentir raiva, indignação, consternação. Acredito que precisaremos usar tudo isso para de fato melhorarmos.

Musk chegou até o espaço porque Katherine Johnson, junto com Mary Jackson e Dorothy Vaughan, as três matemáticas afro-americanas que ficaram conhecidas como “computadores de saia”, trabalharam nos programas espaciais Redstone, Mercury e Apollo para a Nasa.

Isso tudo lá na década de 60, em plena era de segregação racial nos EUA. Elas trabalhavam na divisão segregada de computadores da área oeste da Nasa. Mesmo esse absurdo de segregação não foi capaz de tirar a confiança de John Glenn, reconhecido astronauta branco da Apollo 11, em fazer questão de ouvir Katherine mostrar seus cálculos e confiar neles.

Naquela época, o cálculo era quase todo manual, o poder computacional era ínfimo comparado aos dias atuais. Hoje, a tecnologia está aí e acessível. As inequalidades e o racismo infelizmente também continuam aí e visíveis. Se o viés implícito muitas vezes é inconsciente, o menor acesso dos negros às oportunidades, não é.

Do que adianta aula virtual para quem não tem microcomputador e nem acesso à internet? Que tal lockdown sem água tratada nem esgoto? Se o acesso à infra-estrutura sempre foi importante, imagina nos tempo de Covid? E no pós-Covid?

Cada vez mais os empregos no futuro se deslocarão para setores de tecnologia. Mesmo os tradicionais terão uma pitada maior de tecnologia, tipo home-office – acho que a essa altura muitos já entendem isso, certo? E estes empregos cada vez mais se distanciarão dos empregos estritamente manuais, o que aumentará cada vez mais o abismo de renda e oportunidades entre as pessoas.

Dados nos Estados Unidos mostram que 20% dos formados em ciência da computação nos são negro e latinos. Mas eles são apenas 6% dos indústria de tecnologia.

O caminho deverá passar por uma universalização do acesso a infra-estrutura e tecnologia. Isso de fato dará condições a populações que vêm sofrendo racismo sistêmico a se colocarem de melhor forma no novo mercado de trabalho que se desenha. E de empreender. Afinal de contas, empreendedorismo e criatividade já são marcas dessas populações que têm que driblar a falta de recursos e oportunidade com muito “jogo de cintura” e com os mais variados negócios próprios. Imaginem todo esse potencial, esse diamante bruto de criatividade, com os devidos recursos?

O próprio setor de tecnologia deveria repensar seu papel. Não só no acesso, mas na representatividade. Quantos venture capitalists, fundadores, executivos do setor são negros, mulheres e nordestinos?

Acesso e combate ao viés implícito com diretrizes de acesso, oportunidades de trabalho, fundos específicos para populações menos favorecidas empreenderem podem ser bons caminhos.

Além disso, foi muito legal ver a união da sociedade civil para atacar a pandemia. Mais do que doações em dinheiro, doações em máscaras, luvas, equipamentos, seria mais legal ainda estender essa boa vontade, por exemplo, em doações de computadores e acesso à internet para as crianças que não têm condições. Algo que seria usado para além da pandemia. Uma máscara salva a vida no pico da pandemia. Um computador pode transformar uma vida para sempre.

Artigo de Kareem Abdul-Jabbar no LA Times: https://www.latimes.com/opinion/story/2020-05-30/dont-understand-the-protests-what-youre-seeing-is-people-pushed-to-the-edge

Artigo de Kareem Masai Ujiri no The Globe and Mail: https://www.theglobeandmail.com/opinion/article-masai-ujiri-to-overcome-racism-we-need-to-be-more-than-merely-good/

Link de artigo muito sucinto com dados de desemprego dos EUA em tempos de Covid: https://www.theguardian.com/business/2020/may/28/jobless-america-unemployment-coronavirus-in-figures

https://www.theguardian.com/business/2020/may/28/jobless-america-unemployment-coronavirus-in-figures

Stephan Krajcer trabalhou por mais de 15 anos no setor bancário e em 2018 fundou a Cuore, startup baseada no Canadá que desenvolve soluções tecnológicas de digitalização e automação para mercado financeiro, além de outras iniciativas com uso de tecnologias emergentes como AI e blockchain.