Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

TI lidera as profissões em ascensão no LinkedIn

Se o que você quer é trabalhar em Tecnologia da Informação (TI), então saiba que é onde estão as maiores movimentações registradas pelo LinkedIn. Com base em dados das informações públicas na rede social, a empresa elencou 15 profissões que lideram o ranking de tendências de profissões em ascensão. A líder do ranking é a de gestor de mídias sociais, seguida por engenheira/o de segurança cibernética.

Das 15 profissões, 9 são em TI, mas se considerar a cadeia toda, são 11 as que se encaixam no setor. Tem muita procura por especialista em inteligências artificial, cientista de dados e programador/a de JavaScript, só para dar alguns exemplos. E com esse cenário, não surpreende que a 14ª posição seja a de recrutador/a especialista em TI.

A procura por gestor de mídias sociais no LinkedIn subiu 122% entre 2015 e 2019. Mas se considerar a cadeia, há 11 profissões.

No mercado financeiro há 2 específicas – investidor/a day trader e consultora/o de investimentos. O estudo com as profissões, os 5 conhecimentos primordiais e os setores que mais buscam essas profissões está em http://bit.ly/2tOEuqL

Multiledgers lançará plataforma em blockchain única no mundo

Nas próximas semanas, a Multiledgers vai anunciar sua plataforma IaaS (Infrastructure as a Service) e BaaS (Blockchain as a Service) para testes pelas empresas. Segundo a startup, essa é a única plataforma no mundo em governança duas funções em blockchain.

A Multiledgers busca soluções e faz a gestão da infraestrutura computacional das empresas. Para isso, conecta fornecedores de infraestrutura global de cloud aos seus clientes. Isso permite buscar as melhores relações custo/benefício.

 Além disso, “tudo é feito em blockchain e com isso os clientes têm uma clara noção do que estão contratando, do investimento feito e das tarefas executadas”, disse ao Blocknews o CEO da empresa, Pedro Souza. Além de redução de custos, há uma flexibilidade operacional maior da infraestrutura de TI das empresas.

A plataforma permite implantar e gerenciar diferentes protocolos, tecnologias e plataformas que integram redes de provedores de nuvens, blockchain e DLT (distributed ledger technology). A empresa, de segurança da informação, pretende atender clientes de diferentes setores.

“Em 2019 tivemos várias POCs (provas de conceito), parcerias e testes. 2020 é o ano da consolidação”, afirmou Henrique Klier, diretor de desenvolvimento de negócios da Multiledgers.

 A empresa tem 15 projetos em andamentos e um deles é com o Banco Maré, fintech do Rio de Janeiro focada num projeto de impacto social. A Multiledgers também foi uma das apoiadoras do Laboratório de Inovações Financeiras e Tecnológicas (Lift), iniciativa do Banco Central e da Federação Nacional das Associações dos Servidores do Banco Central (Fenasbac), que resultou em 17 projetos em inovação que chegaram a finalizar o desenvolvimento de protótipos.

A Multiledgers já se internacionalizou, mudando sua sede para Delaware, nos Estados Unidos.

IBM e Farmer Connect lançam app para rastreamento de café

A IBM e a Farmer Connect, uma organização focada no uso de blockchain para rastreabilidade de produtos agrícolas de pequenos produtores, anunciaram que neste início de ano será lançado o aplicativo móvel “Thank my Farmer” para a indústria do café. A rastreabilidade é testada desde o final de 2019 com alguns participantes da cadeia produtiva.

Com o rastreamento e a facilidade do aplicativo, será possível registrar todo o percurso que o café faz desde o campo até a xícara do consumidor. O próprio consumidor poderá ver de onde vem seu café. A origem do produto é um ponto importante para muitos consumidores na hora de escolher o que vão beber, mas o rastreamento integrado não existe e para complicar, a cadeia do café é longa.

O aplicativo começará a funcionar nos Estados Unidos e Canadá com o café premium da marca 1850, e na Europa com a Beyers 1769, da Beyers Koffie. Depois deve se expandir em outros mercados.

Segundo uma pesquisa divulgada no anúncio do Thank my Farmer, dois terços dos consumidores de 19 a 24 anos preferem café cultivado de forma sustentável e com origem conhecida e responsável. O consumo global é de 500 bilhões de xícaras de café por ano.

O rastreamento do café usa a mesma tecnologia do IBM Food Trust, mas não está inserido nessa rede.

Começar pequeno em blockchain também gera valor, afirma Stefanini

A Stefanini, empresa referência em soluções digitais, acredita que o desenvolvimento de projetos pequenos de blockchain podem ser um bom começo para deslanchar o uso dessa tecnologia em empresas.  

“Isso fecha buracos, gera bom retorno, não assusta o usuário e nem o expõe ao risco”, afirmou ao Blocknews o vice-presidente executivo global da empresa, Ailtom Nascimento.

Instituições como o Bradesco começaram a assim, testando a tecnologia para transferências entre o Brasil e o Japão e entre o país e suas filiais em Nova York e Ilhas Cayman.

Nascimento espera que em 2020, o país comece a soltar o freio de mão da transformação digital, que foi principalmente afetada pela crise econômica dos últimos anos e, em alguns casos, por receio de usuários do que é novo. Empresas e governos devem considerar blockchain nessa virada, se querem benefícios como aceleração de processos e redução de custos, completou o executivo, afirmou.

No caso de blockchain, tem ainda os casos de quem confunde a tecnologia com criptomoedas como bitcoin e acha que é isso que vai entrar na empresa.

A Stefanini faz a arquitetura e desenvolvimento dos projetos. Tem iniciativas em áreas como trade finance e transferências internacionais de moedas, com ações de backoffice de gestão de documentos, por exemplo, que podem ser digitalizados e validados com hashses. 

“Mas queremos ir além”, afirmou. Um exemplo é que a Stefanini criou um grupo de trabalho com a bolsa de valores brasileira, a B3, para tratar do uso da blockchain e de projetos para o sandbox da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Fora do financeiro, Nascimento também vê potencial da blockchain em cadeias produtivas longas, como a indústria automotiva, conectando fornecedores e as montadoras. Em casos assim, o uso de tokens – espécie de fichinha da quermesse que representa um valor – poderia também ser aplicado para facilitar as transações.

Isso abriria a possibilidade, por exemplo, de se trocar apenas saldos entre agentes da rede – você paga ou recebe o saldo entre o que comprou o que vendeu.

A criação dos tokens é considerada a fase seguinte à da criação das moedas criptografadas e em 2019 foi vista como o próximo grande passo. O uso em projetos de empresas e sociais têm crescido em todos os cantos do mundo. Em casos como o citado por Nascimento, circula entre os membros de uma rede permissionada especifica de blockchain e, portanto, não é especulativa.  

Para o VP da Stefanini, blockchain deveria também ser considerada em planos de desburocratização. Setores altamente regulados poderiam se tornar mais simples e menos custos. “Há setores em que a regulação não permite a inovação.”

É uma opinião semelhante à de Dante Disparte, Vice-Chairman da Associação Libra, que está estruturando o lançamento da stablecoin (lastreada em títulos de governos) do Facebook. Os governos precisam estar atentos para não impedir que inovações sejam barradas por regulações, diz ele. “Regulem a atividade, não a tecnologia”, diz Disparte.  

No exterior, há iniciativas como a de para registros de imóveis, o que torna o processo mais transparente, mais barato e mais rápido.

A Stefanini é considerada uma das 5 empresas mais internacionalizadas do país pela Fundação Dom Cabral (FDC). Está presente em 41 países, incluindo Estados Unidos, Austrália, Singapura, Reino Unido e Espanha. Em 2019, faturou cerca de US$ 3,3 bilhões.

Facebook abre 33 vagas para a Calibra, carteira da Libra

Numa demonstração de que está progredindo na parte técnica de lançamento da stablecoin Libra, o Facebook abriu 33 vagas de emprego para o projeto Calibra, a carteira digital da moeda. As vagas são principalmente técnicas, como as de engenheiro de dados, cientista de dados e para a área de segurança e em algumas o conhecimento de blockchain está logo na descrição da posição. Mas tem também vagas em comunicação e compliance, por exemplo.

Das 33 vagas, 22 são na sede do Facebook em Menlo Park (Califórnia), 1 em Sunnyvale (Califórnia) e outras 7 em Tel-Aviv (Israel), 2 em Dublin (Irlanda) e 1 em Seul (Coréia do Sul).

É um prato cheio para quem quer trabalhar com blockchain e num projeto novo em folha que pode mudar o sistema de pagamentos internacional. A previsão oficial é de que a Libra será lançada ainda neste ano, mas a Associação Libra afirma que só fará o lançamento nos mercados em que a moeda for regulada. E isso pode atrasar os planos.

As vagas estão em http://bit.ly/37KqlJJ

União Europeia terá identidade e carteira digitais em 2020

A União Europeia (UE) deve implantar, neste ano, a identidade e a carteira digitais no bloco. Isso será feito por meio da European Blockchain Services Infrastructure (EBS), criada pelos países da região como parte das iniciativas para que a UE consiga liderar o desenvolvimento das novas tecnologias. Ambas serão interoperáveis em todo o bloco e o setor privado também poderá usá-las.

“Os emissores das identidades continuarão os mesmos e cada cidadão incluirá todos os seus dados (como identidade, diplomas, informações médicas e da carteira de motorista) numa carteira digital, mas só passará as informações que peçam a ele”, disse Jesús Ruiz, assessor técnico da EBSI ao Blockchain Economía, veículo parceiro do Blocknews.

Serviços de troca de dados privados, como identificação de imposto entre autoridades fiscais e aduaneira também entrarão em operação. A entrevista completa com Ruiz está em https://www.blockchaineconomia.es/europa-identidad-digital-soberana-blockchain/

Ripple mira crescimento da rede de bancos na América do Sul

Depois de um 2019 considerado de consolidação, com o maior crescimento da empresa desde sua fundação em 2012, a Ripple, plataforma de blockchain para transferências internacionais, entra em 2020 bastante otimista. Até o último dia do ano passado, Luiz Antônio Sacco, diretor-geral para o Brasil e América do Sul, negociava a entrada de mais bancos na rede.

“O número de clientes vai crescer e mais soluções vão se tornar realidade”, disse o executivo ao Blocknews. Além do Brasil, Peru e Chile tem tido boa performance na plataforma Ripple. Para 2020, a expectativa é de crescimento também na Colômbia. “Alguns países estão mais propensos a fluxos internacionais.”

Em boa parte, a aceitação do mercado brasileiro a uma rede blockchain de mensageria de transferências internacionais têm explicação no estágio de tecnologia dos bancos nacionais. “As equipes de inovação das instituições financeiras estão preparadas para implantar uma inovação como a plataforma em blockchain da Ripple”, disse.

Além disso, há as fintechs, que muitas vezes trabalham com os bancos para adotarem esse sistema. Ouro ponto é que bancos como o Santander já usavam a plataforma no exterior e passaram a adotá-la aqui.

Um dos clientes da Ripple que pode começar em breve a usar a plataforma comercialmente é o Bradesco. O banco está em testes avançados para as transferências no corredor Brasil-Japão. Na outra ponta está o MUFG (Mitsubishi UFJ Financial Group). O Japão está entre os 5 maiores mercados de remessas globais, segundo Sacco.

A empresa não revela número como os de transações, clientes e rankings por país, mas confirma que o Brasil detem 30% das entradas e saídas de remessas.  Concorrente da Swift, a Ripple afirma que consegue reduzir custos dos bancos e portanto, a cobrança para os clientes. Dentre as vantagens de se usar blockchain, está a de poder usar uma quantidade maior de informações nas transferências.

Os valores cobrados pelos bancos variam conforme suas políticas, segundo o executivo. É possível que hoje, menos cobrando menos, façam mais transações com a redução dos valores , o que pode atrair mais clientes.

Uma das formas disso acontecer é por meio do uso da criptomoeda XRP que a Ripple criou e que segundo o CoinMarketCap, é a terceira do mundo em capitalização de mercado. Onde há regulação ela pode ser usada. No Brasil, ainda não. Os bancos usam a XRP para fazer as transferências, o que reduz o custo com o pré-financiamento de compras e provê liquidez.

Na América Latina, a moeda começou a ser usada no corredor México-Estados Unidos pela MoneyGram. Em novembro, o CEO da empresa, Alex Holmes, anunciou que 10% das transferências eram feitas com a XRP. Para Sacco, o México mostra a viabilidade da criptomoeda para esse tipo de operação. “A XRP não é uma moeda de especulação. É um ativo para fluxo de recursos sem alocação de compra.”

A Ripple investiu US$ 50 milhões na MoneyGram em 2019 e tem 9,95% de participação na empresa. Há 15 dias, a empresa anunciou também recebeu US$ 200 milhões em investimentos Série C liderado pela Tetragon, com a SBI Holdings  e a Route 66 Ventures.

Em 2019, a Ripple ultrapassou a marca de 300 clientes no mundo e suas transações aumentaram 10 vezes na comparação com o ano anterior na plataforma blockchain RippleNet, a rede de bancos, instituições financeiras e provedores de pagamentos.

Blocknews faz parceria com Blockchain Economía, site da Espanha

O Blocknews já nasceu com uma parceria de conteúdo com o Blockchain Economía, site espanhol também especializado na cobertura do uso de blockchain em empresas, governos e projetos socias. A Espanha tem diversas iniciativas de uso da tecnologia e se destacado na União Europeia (UE). Tanto que em 2019 foi uma das organizadoras da primeira edição do Convergence – The Global Blockchain Congress, maior evento sobre a tecnologia, que teve como organizadora também a UE.

A fundadora do Blockchain Economía é Susana Blázquez, experiente jornalista de economia e negócios, que fez sua carreira no El País.   

Blocknews e Blockchain Economía vão fazer um intercâmbio de conteúdo, já que ambos compartilham do objetivo de falar de economia digital e blockchain. Queremos contribuir para o desenvolvimento dessa tecnologia, porque ela pode revolucionar diversos processos, trazer mais eficiência, transparência e inclusão social.

Ontem, o Blocknews publicou uma reportagem do Blockchain Economía sobre uma prova de conceito (POC) para o uso de dinheiro solidário digital para dar suporte à ONG Salva un Cavallo (Salve um Cavalo).  De seu lado, o Blockchain Economía noticiou a estreia do Blocknews e as suas principais notícias do dia, como as entrevistas exclusivas com o Vice-chairman e Head de Políticas e Comunicações da Associação Libra, Dante Disparte, e com o diretor de Roberto Medeiros Paula, diretor da área internacional do Bradesco.

Libra gera debate porque desafia sistema de pagamentos, afirma Disparte

Ontem (6), o Blockcnews noticiou a primeira parte de uma entrevista exclusiva com Dante Disparte, Vice-chairman e Head de Políticas e Comunicações da Associação Libra, em que o executivo falava dos caminhos nada fáceis para se lançar a stablecoin Libra. Hoje, publicamos outras informações dadas nessa entrevista e durante um painel sobre moedas digitais de bancos centrais ocorrido no Convergence – The Global Blockchain Congress, maior evento do mundo sobre a tecnologia, e que aconteceu na cidade espanhola de Málaga, em novembro passado.

A seguir, seguem trechos das principais declarações de Disparte nessas duas ocasiões.

Objetivo

Nosso único objetivo é fazer transações e pagamentos A Libra vai aumentar a velocidade do dinheiro, o que é uma mudança que os bancos centrais já sabem como acomodar por conta de décadas de melhorias na tecnologia de pagamento.

Nós não vamos emitir moeda, não poderemos controlar as taxas de juros e portanto, a definição de stablecoin (moeda estável) ou global stablecoin é efetivamente a de um ativo digital astreado por ativos estáveis. Ativos acessíveis nos países sem controle de capital (Libra terá lastro principalmente depósitos bancários e securities de curto prazo de governos, na proporção 1×1).

Nosso projeto não é necessariamente novo, o conceito de uma cesta de moeda é antigo, tem 50 anos, como a moeda do Fundo Monetário internacional (FMI). O conceito de uma associação de pagamentos tem uns 60, 70 anos. Então, por que a ira, o entusiasmo, as manchetes e as audiências públicas? Porque estamos desafiando muitos aspectos do sistema atual, em partícula os sistemas de pagamentos que deixaram milhões de pessoas para trás.

Moedas de bancos centrais

O projeto Libra acelerou a discussão sobre moedas digitais, inclusive de bancos centrais (CBDC, na sigla em inglês). Conversando com reguladores e formuladores de políticas centrais, vimos que a ideia de bancos centrais terem uma moeda nacional não é nova, mas ganhou nova vida.

Hoje os bancos centrais analisam as moedas digitais e olham principalmente para aplicações no atacado, tornando as relações entre os bancos mais eficientes. Mas não olham para a parte do varejo e de transações internacionais.

As CBDCs poderiam ser integradas à rede Libra.  Na nossa visão, como estamos desenhando nossa stablecoin, ela será a versão de varejo, um protótipo do que um dia poderia ser emitido diretamente pelos bancos centrais.

Se as CBDCs existirem, isso seria metade do meu trabalho feito e poderíamos nos concentrar na construção de uma rede blockchain de pagamentos que quebra os muros entre as pessoas. Quando as CBDCs existirem, teríamos uma rede interoperável.

Os reguladores estão preocupados porque muita gente perdeu dinheiro com ICO (levantamento de recursos para lançamento de ofertas iniciais de moedas digitais) e outras operações. Por isso, é preciso regular as atividades, não a tecnologia. Muitos países ocidentais levaram a tecnologia para a sombra e levaram offshores para os céus.

Regulação

É preciso uma harmonização de regulação e participamos muito ativamente e muito candidamente de conversações. A associação quer ser regulada. Cada vez que alguém diz que sofremos um terrível baque porque um regulador pede por altos padrões e escrutínios, nossa resposta é: isso está confirmando efetivamente nossa posição. Não há nenhum retrocesso nesses pedidos. Queremos ser um sistema de pagamento que esteja de acordo com o gerenciamento de risco financeiro.

Permitam-nos fazer as coisas de uma forma pública e privada, este é princípio que queremos trabalhar com os reguladores, formadores de políticas e ONGs. Levamos muito a sério a política monetária. As reservas da Libra estarão nas mãos de instituições financeiras bem reguladas. O que perdemos se o projeto não for bem-sucedido? Temos que perguntar onde as regulações não permitem inovação. Regulem as atividades, não regulem as tecnologias. Vemos o projeto como um sistema de pagamento, e menos como uma moeda digital ou estavél.

Inclusão

Estamos inovando. A internet não foi tão inclusiva em finanças e pagamentos. As redes financeiras se parecem com as empresas de telecomunicação pré-internet: não se falam. Não houve evolução na parte central da transmissão do pagamento nos últimos 50 anos, embora tenha havido inovações em pagamentos nas pontas.

Há 1,7 bilhão de pessoas sem conta em banco, mas 1 bilhão com conexão à internet pelo celular, um aparelho que permite transferências bancárias. Além disso, o custo de enviar dinheiro, mesmo em quantias pequenas, é caro para essas pessoas. O projeto da Libra é uma oportunidade, não um isolamento, para resolver esse problema.

O protocolo aberto para pagamentos reduz barreiras de entrada e dá poder aos consumidores. Isso quebra silos e promove a competição e permite inovação nos serviços financeiros. A Calibra, carteira digital da Libra, deverá ser apenas uma das que vão existir e os consumidores poderão enviar dinheiro entre carteiras concorrentes.  “Vamos mudar o script, virar a narrativa de cabeça para baixo e começar a tornar esses 1,7 bilhão de pessoas em futuros consumidores.  

Associação

Se você for rápido, vá sozinho, se for longe, vá em companhia. A associação começa a tomar corpo. Quando o projeto estiver pronto, queremos ter 100 organizações. O padrão é aberto, então haverá uma variedade de pagamentos pela internet, como cada ator da rede (que é fechada) sendo responsável seu desenvolvimento na plataforma e construir soluções.

Bancos analisam compartilhar procurações por blockchain

A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e a Câmara Interbancária de Pagamentos (CIP) estão analisando o potencial uso de blockchain para compartilhamento de procurações e poderes de clientes. Isso se daria pela Rede Blockchain do Sistema Financeiro Nacional (RBSFN), lançada em 2019, que tem 9 bancos como membros. A ideia é implantar a atividade neste ano, se tudo correr bem, disse ao Blocknews o diretor de Políticas de Negócios e Operações da Febraban, Leandro Vilain.

Inicialmente o serviço é pensado para clientes pessoa jurídicos. “Adotar blockchain nesses casos poderia agilizar processos como o de abertura de contas, fechamento de câmbio e revogação de poderes”, afirmou o diretor. Se o documento é validado e colocado na rede por um banco, os outros poderiam aceitá-lo e imediatamente teriam efeito nos membros da rede. Numa revogação de poderes, por exemplo, se um alguém tentar fazer uma operação para a qual não tem mais poderes, a agilidade do compartilhamento de informações pode impedir isso.

A redução de tempo e custos será tanto para os clientes, que não precisam emitir e andar de um lado para outro para distribuir esses documentos, como para as instituições financeiras na validação.

Mas, um dos desafios desse projeto é cada banco aceitar a validação feita pelo outro. As áreas jurídicas, por exemplo, têm de se acertar e as padronizações podem facilitar esse caminho.

Na RBSFN, 9 bancos trocam informações relacionadas a potenciais fraudes cometidas por celular. Os bancos são Banco do Brasil, Banrisul, Bradesco, Caixa Econômica Federal, Itaú, J.P. Morgan, Original, Santander e Sicoob. A tecnologia é a Fabric Hyperledger. Mas Vilain disse que a Rede poderá usar no futuro outras soluções, se necessário.

A Febraban não revela os investimentos em blockchain e o número de fraudes captadas por celular. “Escolhemos esse projeto porque o número de fraudes por celular não é significativo. O objetivo é testar se blockchain funciona e fatores como padrão de segurança e como conectar os bancos à tecnologia.”

Por 3 anos, Febraban e CIP estudaram se, e como, adotar a tecnologia. Inicialmente pensou-se em aplicá-la na plataforma de boletos lançada em 2017. “Fiquei noites sem dormir pensando se era o caso, mas decidimos não, porque o projeto já era complexo. Foi a decisão certa”, diz o diretor da Febraban. O motivo é que 4 bilhões de boletos são processados ao ano e a plataforma blockchain não daria conta disso, por causa da limitação de transações por minuto.

Agora, com a RBSFN, os bancos estudam o que mais podem fazer nela. Para cada atividade, são adicionados usos e feitas as programações necessárias.