Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Mercado Bitcoin Digital Assets vai lançar token de consórcios

A MB Digital Assets (MBDA), braço do Mercado Bitcoin para ativos digitais atrelados a ativos reais, vai iniciar neste semestre a venda de tokens de cotas de consórcios excluídas. Essas cotas são de pessoas que deixam de pagar o consórcio. Os ativos estão sendo definidos e devem ser de até R$ 50 mil, como carros e motos. O piloto poderá ser na faixa de R$ 5 milhões.

O projeto é comprar com desconto a parte já paga pelo consorciado, terminar de pagar o que falta e depois resgatar o valor cheio. De acordo com a MBDA, há cerca de 15 milhões de cotas de consórcio no país, mas praticamente a metade é cancelada.

É um processo semelhante ao que a MBDA faz com os tokens de precatórios que começou a vender em agosto de 2019. Os ativos da MBDA são negociados pela plataforma do MB, a maior do país para criptoativos.

“Estamos pegando o que funcionou na nossa experiência com precatórios, como vender frações de R$ 100,00, valor inspirado nos fundos imobiliários”, disse ao Blocknews Fabrício Total, diretor de OTC (mercado de balcão), do MB.

A operação será em conjunto com a Concash, que compra cotas de consórcios inadimplentes ou canceladas, e que será a originadora dos ativos. O teto de R$ 50 mil das cotas a serem tokenizadas se deve ao fato de que até aí, o cotista aceita perder parte do que pagou.

A MBDA, que tem entre seus sócios pessoas que já foram do mercado financeiro, tem ainda uma lista de cerca de 7 ativos em análise. Em 2018, a empresa começou a identificar o que poderia fazer com a tecnologia e o conhecimento que tem com as criptomoedas para diversificar seu negócio.

“Olhamos em especial os tokens e estudamos o que a regulação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) permitia e não permitia, o que tem representatividade e é útil para o investidor e o detentor do ativo real. Vimos que sobrava muita coisa interessante”, completou Tota. A concentração é em ativos grandes e de mercados conhecidos dos executivos da MBDA.

“Inovação não pede licença, mas fazemos com muito cuidado”, disse Tota. A empresa busca se garantir de que o ativo não tem valor mobiliário. No caso dos precatórios, já houve conversas com a CVM e, segundo o executivo, “até agora, tudo bem”.

Esse levantamento é ajudado pelo fato de a empresa contar com executivos que passaram pelo mercado financeiro, em empresas como a Cetip ( Central de Custódia e Liquidação Financeira de Títulos), que foi comprada pela B3.

Tota afirma que embora os investidores da MBDA sejam em boa parte os da base de clientes em criptomoedas. Mas são pessoas em geral que conhecem sobre investimento de forma mais abrangente. “Miramos um público que busca alternativa à renda fixa, que busca uma alocação mais estratégica, não tanto de especulação”. O investidor de criptomoedas, em geral, é alguém que está mais interessado em no sobe e desce do mercado.

Uma outra diferença entre os dois segmentos é o esforço exigido para estruturar a venda de tokens, muito mais trabalhosa do que o negócio da bolsa de criptomoedas.

Precatórios

No caso dos precatórios, a empresa consegue descontos na compra do ativo de cerca de 15% a 20% em títulos federais. É desses títulos que deve vir o primeiro pagamento aos investidores, já que se espera o pagamento pela união ainda neste ano, segundo Tota. Quem compra uma fração, consegue ver exatamente qual precatório ela representa, disse a MBDA.

Em estaduais o desconto é maior, podendo chegar a 40%, porque os atrasos de pagamento também são.

A MBDA calcula que o retorno para o investidor é de cerca de 16% ao ano bruto, porque considera o desconto na compra do ativo e as correções e juros do título quando é pago.

A empresa vendeu 4 tokens de precatórios da união e dos estados de São Paulo e Rio de Janeiro, num valor de R$ 25 milhões. Em novembro começou a negociação do mercado secundário dos títulos. A preferência é pelo precatório alimentar, de salário não pago, porque tem prioridade no pagamento dos governos.

O plano para 2020 é fechar o ano com um volume total de negócios – tokens e criptomoedas – de R$ 9 bilhões, o dobro de 2019, e com 3 milhões de clientes, ante os 1,8 milhão do ano passado. A empresa não revela números de transações em criptomoedas.

Documentário: Silk Road mostra história crucial do bitcoin, diz consultor

O final de semana chegou e é hora de colocar a lista de filmes em dia. Para quem gosta dos gêneros com dark web, suspense e investigação, Silk Road: Drugs, Death and the Dark Web (2017) é um prato cheio.

O documentário conta a história do Silk Road, site norte-americano de compras na dark web criado em 2011 e que vendia de tudo, inclusive drogas. Seguia o pensamento libertário de que a privacidade é lei, cada um faz suas regras e o governo deve ser ignorado – portanto, enfrentado.

O site combinava o software Tor – que garantia anonimato com segurança – e o uso de bitcoins. Segundo Pedro Birindelli, consultor sênior da Cosin Consulting e entusiasta de blockchain, a venda de bitcoins apreendidas nas contas do site acabaram legitimando a moeda (foram cerca de 170 mil, que na época valiam algo como US$ 32 milhões e calma, isso não é um spoiler).  

Ross Ulbricht, acusado de ser o responsável pela plataforma, foi preso em 2013 e condenado a perpétua sem chances de perdão. Ele se diz inocente de todas acusações. Há um movimento que pede sua libertação e acusa o processo de injusto . Até agora, 250 mil pessoas já assinaram o pedido de libertação.  

Blockchain ganha espaço em segurança cibernética

Se a transformação digital de empresas e governos está dando um impulso aos negócios e à carreira em segurança cibernética, a blockchain chegou para ajudar ainda mais nesse movimento. Para quem trabalha com segurança, é um novo filão a ser explorado.

“Há uma forte interação entre blockchain e segurança cibernética e por isso queremos ter conosco pessoas interessadas nessa tecnologia”, disse ao Blocknews Andréa Thomé, líder Brasil da Womcy (Women in Cybersecurity). A instituição foi criada em 2019 para promover a inclusão de mulheres em segurança cibernética na América Latina e nos Estados Unidos.

O trabalho da Womcy em 2020 terá foco em mentoria, eventos e palestras em empresas, faculdades e outros locais onde se possa encontrar gente interessada em trabalhar ou dar um salto na carreira em segurança cibernética. Blockchain deve aparecer nesse processo.

Para a segurança cibernética, blockchain contribui em questões cruciais. Um exemplo é que a descentralização do DNS (Domanin Name System) permite a distribuição de dados entre os nós da rede e praticamente impossibilita o ataque de hackers.

Além disso, os hashes inseridos pela tecnologia tornam mais segura a identificação de atualizações e downloads de softwares.  “É uma evolução em termos de proteção e preservação de integridade de informações”, diz Andréa.

O que blockchain não resolve são os erros humanos, como compartilhamento de chaves de segurança. Porque essa tecnologia é muito inovadora, mas não faz milagres.

Entre os exemplos recentes mais emblemáticos da confiança em blockchain para segurança cibernética está o contrato recém anunciado da Força Aérea dos Estados Unidos (USAF) e do Departamento de Defesa americano com a Xage Security, que vai trabalhar com a segurança relacionada a membros, uso e dados da rede.

Também a PricewaterhouseCoopers (PwC) da Suíça anunciou que fez um acordo com a ChainSecurity para melhorar sua capacidade de oferecer serviços nessa área.

Nesta semana, o LinkedIn divulgou um ranking em que blockchain aparece como a habilidade técnica mais procurada na rede – há demanda para poucos profissionais, enquanto num ranking de empregos em ascensão apareceu engenheiro de segurança cibernética. Pelo visto, oportunidades não faltam no mercado.

Seguros que as empresas com blockchain devem fazer

Fernando Saccon,  Head de Linhas Financeiras da seguradora Zurich, afirma que o uso de blockchain pelas empresas poderá gerar negócios em dois tipos de seguros: um deles é o cibernético, porque é preciso proteger os dados que a empresa segurada operacionaliza. O outro é o de responsabilidade civil profissional, que protege empresas na execução de seus serviços.

O outro é o de responsabilidade civil profissional, que protege empresas na execução de seus serviços.

A entrevista completa com Saccon está em http://bit.ly/38b7eIZ, página do site Sonho Seguro, focado na cobertura do setor.

Perguntas para sua empresa avaliar se adota blockchain, segundo Maurício Magaldi

Adotar uma nova tecnologia é um processo sensível nas empresas, governos e instituições sociais, ainda mais quando se trata de algo tão novo como blockchain. Essa tecnologia tem várias utilidades e pode transformar processos de uma forma profunda, mas é preciso avaliar bem quando e como usar.

Maurício Magaldi, coordenador da comunidade Hyperledger (capítulo Brasil), mentor de startups baseadas em blockchain e host do BlockDrops Podcast, explica como avaliar a melhor solução sem se deixar levar nem pela moda, nem pelo medo.

BN: Quais são as 5 perguntas básicas que uma empresa deve fazer ao avaliar se deve adotar a tecnologia blockchain?
MM: A primeira pergunta a ser feita é: o problema a ser resolvido é um problema de negócios? Adotar tecnologia pela tecnologia raramente resolve um problema de negócios de uma maneira sustentável.
A pergunta seguinte é: esse problema envolve um ecossistema de participantes? Uma rede blockchain para um único participante tem baixas chances de escalar e há outras tecnologias que podem ser mais facilmente utilizadas
Outro ponto fundamental: existe um “ativo” bem definido que é transacionado entre os participantes? Isso porque o produto ou serviço ou valor que os participantes trocam entre si nessa cadeia de valor precisa estar definido e acordado entre eles (modelo de dados).
A quarta pergunta é: o processo de negócios requer um nível de confiança que não existe atualmente? Se os processos geram disputa entre os participantes, existe valor a ser capturado na primeira interação da rede pelo blockchain.
E por fim, é preciso saber: não há nenhuma outra tecnologia que já resolva esse problema de uma outra maneira? Porque aprender e desenvolver uma solução em uma nova tecnologia pode ser menos eficiente e mais caro do que adotar uma tecnologia já provada

BN: Quem deve ser envolvido nos processos de decisão e acompanhamento de uma eventual implantação de blockchain na empresa?
MM: As empresas devem criar um grupo multidisciplinar que tenha profissionais de negócios de todos os participantes fundadores, os nós da rede, porque sem benefícios de negócio não se justifica um projeto. Os profissionais de tecnologia que também entrarem nesse grupo devem dominar as tecnologias envolvidas, porque nunca se trata apenas de blockchain. É sempre blockchain mais alguma outra solução. E os reguladores devem ser incluídos, se a mudança for um caso de uso muito disruptivo para aquela indústria.

BN: Quais os 3 pontos básicos para se considerar ao escolher com qual plataforma trabalhar?
MM: São a versatilidade, ou seja, flexibilidade x especificidade; a disponibilidade da plataforma comparando cloud e on premise; e a comunidade de suporte e desenvolvimento, levando em conta as diferenças entre tecnologia proprietária e open source.

Blockchain lidera ranking de habilidades procuradas

Pela primeira vez, blockchain apareceu não apenas na lista, mas também no topo da lista das habilidades técnicas (hard skills) que as empresas mais deverão procurar em 2020. O levantamento é do LinkedIn Learning com base em mais de 660 milhões de profissionais e mais de 20 milhões de empregos.

Segundo a empresa, “o pequeno número de profissionais disponíveis com essa habilidade está com alta demanda”. O estudo está em http://bit.ly/2QR0Dxs

Das outras 9 habilidades, muitas estão diretamente ligadas a tecnologia, incluindo cloud computing, em segundo lugar, inteligência artificial (que caiu duas posições, para o quarto lugar), UX design e ciência da computação, em nono lugar.

Quem quiser aprender alguma das 10 habilidades, incluindo blockchain, o LinkedIn Learning fornece os links para cursos nesses temas.

Mas não é só isso que as empresas buscam. Elas querem também quem tenha soft skills, ou seja, habilidades relacionadas a comportamento. As 5 primeiras do ranking são criatividade, persuasão, colaboração, adaptabilidade e inteligência emocional.

É sempre bom lembrar que um bom técnico muitas vezes perde o emprego por suas atitudes na empresa.

Nesta semana, o LinkedIn também noticiou as profissões mais em alta no Brasil. A reportagem está em http://bit.ly/2TqZ5Mf

Empresas de atum do RN usarão blockchain em rastreamento

A partir de março, um grupo de empresas do Rio Grande Norte (RN) que pescam, processam e distribuem atum, deve começar a usar ferramentas em blockchain para dar mais transparência à rastreabilidade do produto, permitir o comércio eletrônico do peixe e gerar recursos para pesquisas com foco na sustentabilidade.*

As ferramentas são a Tracktuna, de rastreamento, o market place Tunalert e a Tuna Intelligence, empresa de soluções tecnológicas e consultoria, que a Companhia Industrial Atuaneira vai lançar, disse ao Blocknews Rodrigo Hazin, executivo da empresa. A companhia arrendou a unidade produtiva de atuns da Norte Pesca, da qual Rodrigo é CEO. O RN é líder nacional na pesca desse peixe.

Essas ferramentas serão usadas pela Aliança do Atlântico para o Atum Sustentável, formada por empresas que já trabalham juntas: Companhia Industrial Atuneira, Mar Aberto, Natal Pesca e Transmar, cada um com participação de 25%. O grupo responde por cerca de 60% das exportações brasileiras de atuns frescos para o mercado premium de sushi e sashimi

A Aliança também vai utilizar a Tunacoin, moeda da Companhia Industrial Atuaneira que terá pré-lançamento em fevereiro (mais detalhes sobre a Tunacoin estão na reportagem do Blocknews em http://bit.ly/36SU975).

Todas essas ações fazem parte do Open Tuna Initiative, inspirado em iniciativas semelhantes no exterior, disse Hazin.

A Tunalert é um investimento de R$ 90 mil da Companhia. Na Tunacoin foram investidos R$ 240 mil. A Tracktuna é um investimento compartilhado com a NBC Bomesp (Bolsa de Bolsa de Moedas Virtuais Empresariais de São Paulo). A Tuna Intelligence será sócia da Bomesp nesse projeto. O investimento é de R$ 350 mil.

Segundo o executivo, o rastreamento já é demandado e feito, mas a blockchain dará mais confiabilidade. “Faremos isso de forma mais organizada e com inviolabilidade de dados. Estamos adicionando o aperfeiçoamento tecnológico e a transparência à nossa pesca, que já é sustentável”. A blockchain usada é a Ethereum.

O rastreamento é feito desde a pesca, com detalhes como característica do barco, localização, tripulação, e segue pelas etapas seguintes. O cliente final poderá ver, por celular, o percurso do peixe que está comendo, já que é gerado um QR Code.

O Tunalert será um comércio eletrônico que poderá simplificar o processo de vendas do atum desde a pesca até a venda final.

Em relação à Tunacoin, parte dos recursos obtidos com a moeda serão usados para viabilizar projetos de sustentabilidade. A ideia é fazer parcerias também com instituições de pesquisa e de preservação de animais que são pegos junto com os peixes, por se aproveitarem das iscas ou serem fisgados por elas.

Diversas ONGs, inclusive internacionais, não indicam o atum brasileiro para consumo por questões de sustentabilidade. Mas no RN, diz Hazin, a preocupação com sustentabilidade já existe, com o uso de equipamentos corretos, por exemplo. Por isso, a Aliança quer se juntar a instituições de pesquisa que vão mostrar de forma científica a qualidade do pescado e de seu manuseio.

Hazin afirma que a Aliança quer estender o conceito da Open Tuna Initiative para outros barcos, clientes e partes da cadeia do atum e de outros pescados, para criar um grupo preocupado com produto de qualidade.

“Podemos trabalhar melhor e ter diferencial maior. É fundamental para nosso futuro”, completou.

*Esta é segunda e última parte da reportagem sobre o lançamento da Tunacoin, Tunatrack, Tunalert e Tuna Intelligence.

Dapps criam soluções que ajudam de ONGs a partidos políticos

Os Aplicativos Descentralizados (Dapps) estão crescendo em número e embora continuem muito concentrados em usos como games, exchange e apostas, surgem novidades em outras áreas, como eleitoral, inclusive aqui ao lado, no Uruguai, industrial e para doações.

Dapps são aplicativos que podem ser para blockchain e são vistos como uma promessa para um uso maior dessa tecnologia, porque podem ter um número sem fim de finalidades. Eles permitem ações descentralizadas, peer to peer (P2P) e, portanto, sem intermediários. O dapp Bitcoin é o primeiro e mais conhecido deles.

O DappReview contabilizou mais de 4.000 dapps em 2019, com 1.955 novos entrando na conta. Os de games são 47% do total, seguidos pelos relacionadas a exchanges (21%). Esses aplicativos movimentaram US$ 23 bilhões e a maior parte usa a rede Ethereum.

O Partido Digital do Uruguai, que como o próprio nome diz, prega o uso de ferramentas digitais para transparência, anunciou que fará eleições internas usando um dapp. Numa primeira fase, “contratos inteligentes e tokens serão usados para a governança interna do partido”, como votação de propostas pelos seus membros, segundo a Aerternity, que está desenvolvendo o projeto.

Outra aplicação, que cai como uma luva para as empresas, é o da Chainyard, que foca na validação de informações sobre fornecedores para que uma empresa decida se quer incluí-lo em sua cadeia de suprimentos. Nisso, consegue aumentar a qualidade da validação e reduzir o temo de aprovação e inclusão na cadeia – no final das contas, pode aumentar sua eficiência de forma mais ágil.

Na área social, doadores se preocupam se as instituições vão usar direito seu dinheiro, e as instituições se preocupam em como provar que fizeram bom uso dele. Confiança é fundamental para manter a entrada de recursos para os projetos sociais. A TRACEDonate permite ao doador acompanhar como sua doação foi usada e vai além, permitindo que o doador decida como o dinheiro deve ser usado – por exemplo, se para construir um laboratório numa escola ou se para pagar novos professores.

Quem quiser saber mais sobre a evolução dos dapps, a 2ª IEEE International Conference on Decentralized Applications and Infrastructures, em abril, vai apresentar diversos casos de uso dos aplicativos. A IEEE é a maior organização de técnicos do mundo e o evento reúne pesquisadores e usuários em Keble College da Universidade de Oxford, na Inglaterra.

O maior uso dos dapps em serviços financeiros – para atividades além de negociações com criptomoedas – podem deslanchar com a regulamentação de produtos e serviços que usam blockchain.

Em outras áreas, o uso pode crescer com o compromisso das instituições com transparência e com a maior confiança no impacto que o compartilhamento de dados causa. E em todos os casos possíveis de uso, dapps ficarão mais populares com o famoso boca a boca: “ouvi falar, usei e gostei”.

Chega ao mercado a Tunacoin, moeda lastreada no atum pescado pelo RN

Em fevereiro próximo, a Companhia Industrial Atuneira, do Rio Grande do Norte, fará o pré-lançamento da Tunacoin, uma utility coin (moeda de utilidade) que vai correr em plataforma blockchain Ethereum. *

O investimento no Tunacoin foi de R$ 240 mil.

A estimativa é de que sejam lançadas inicialmente 6 milhões de Tunacoins que, poderão ser usadas no comércio e que ajudem a financiar pesquisas para a pesca sustentável do atum, disse ao Blocknews o presidente da Norte Pesca, Rodrigo Hazin. Rodrigo e seu irmão Cássio Hazin são os donos da Cia. Atuaneira industrial.

“ Nosso lançamento é bastante conservador. A moeda é cotada na proporção de 1 tunacoin para 1 quilo de atum e está lastreada no peixe existente no Atlântico, um mercado de US$ 6 bilhões ao ano. Vamos também deixar uma parte da moeda em reserva”, afirmou Hazin. 

Rodrigo Hazin

O site oficial do projeto é o https://www.tunacoin.io/, que está sendo atualizado – as datas corretas de pré-venda, por exemplo, ainda serão divulgadas.

Em março será o lançamento da moeda, junto com o Tracktuna, aplicativo em blockchain para rastreabilidade do peixe, do Tunalert, o e-commerce, e do Tuna Intelligence, empresa de soluções tecnológicas e consultoria, todos da Cia. Industrial Atuaneira.

De acordo com Hazin, da moeda ao rastreamento por blockchain, as ferramentas ajudarão a reforçar a visibilidade das ações sustentáveis com que o grupo busca pescar e tratar o atum.

O whitepaper da moeda está sendo finalizado em conjunto com a NBC Bomesp (Bolsa de Moedas Virtuais Empresariais de São Paulo https://www.bomesp.com.br). Será possível conseguir a moeda participando de transações na plataforma blockchain do projeto. “Será uma bonificação por quem usar a plataforma”, explicou Hazin. Além disso, o projeto é que a moeda seja negociada aqui e no exterior por meio da NBC Bomesp.

*Esta é a primeira parte da reportagem sobre os projetos da Companhia Industrial Atuaneira e da Aliança do Atlântico para o Atum Sustentável. A primeira versão desta reportagem, que afirmava que o Tunacoin era uma iniciativa da Aliança do Atlântico, foi corrigida. A Cia Industrial Atuaneira também informou que o projeto do Tunacoin foi atualizado, com a paridade sendo de 1 Tunacoin x 1 quilo de atum, e não mais de 1 Tunacoin x R$ 1.

Os riscos que se deve avaliar antes de usar a blockchain

Blockchain é capaz de mudar de forma significativa os processos. Por isso, quem decide usar deve checar com precisão o que muda e como muda. A avaliação de risco é fundamental, como na implantação de qualquer outra alteração que se faça num negócio, governo o projeto social. Abaixo, seguem algumas dicas que como fazer essa avaliação.